Escândalo do Banco Master atinge núcleo duro do governo Lula no Brasil

A Polícia Federal brasileira colocou no centro das investigações o senador Jaques Wagner, aliado próximo do presidente Lula, suspeito de receber propinas do Banco Master, instituição que fechou no final de 2025 deixando um buraco de 10 bilhões de dólares.

Escândalo do Banco Master atinge núcleo duro do governo Lula no Brasil

Escândalo do Banco Master atinge núcleo duro do governo Lula no Brasil

A Polícia Federal do Brasil colocou no centro das investigações o senador Jaques Wagner, figura de destaque do Partido dos Trabalhadores (PT) na Casa e aliado próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é suspeito de ter recebido vantagens indevidas do Banco Master, instituição financeira que encerrou as atividades no final de 2025 deixando um déficit de cerca de 10 bilhões de dólares.

Durante uma operação que cumpriu 18 mandados de busca, as autoridades fizeram uma incursão no hotel onde o parlamentar se hospeda, além de endereços ligados a ele. Foram apreendidos aproximadamente 90 mil dólares em espécie, em moedas norte-americana e europeia. Segundo o despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, existem indícios de um pagamento ilícito de 3 milhões de reais — cerca de meio milhão de dólares — ao círculo familiar do político em outubro de 2025, pouco antes do banco ser colocado sob regime de liquidação por falta de solvência.

Paralelamente, os investigadores suspeitam que o Banco Master tenha "presenteado" o senador com um apartamento de luxo em construção no 17º andar de um edifício em Salvador de Bahia, cidade da qual ele foi governador. Também estão sendo analisados repasses sistemáticos de recursos por meio de sua esposa. O próprio Wagner, em pronunciamento no Senado, negou as acusações de forma categórica, desafiando as autoridades a apresentar provas contra ele e sustentando que as relações comerciais de sua mulher com o banco ocorreram durante o governo Bolsonaro, sem sua intermediação.

A instituição financeira deixou para trás uma "caixa-preta" avaliada em 10 bilhões de dólares. As revelações indicam que seu proprietário, o jovem banqueiro Daniel Bork, teria tecido uma densa rede de proteção e influência oferecendo taxas de juros muito acima das praticadas pelo mercado.

Antes de atingir a esquerda, o escândalo já havia atingido gravemente a oposição de direita. Reportagens recentes trouxeram à tona a relação de Bork com Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O banqueiro teria financiado com 10 milhões de dólares um filme biográfico sobre o ex-presidente, fato que provocou uma queda acentuada de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, apesar de suas garantias de que se tratava de uma transação estritamente particular.

A lista de políticos sob investigação inclui também o ex-ministro de Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, e o atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. O mais preocupante, no entanto, é que os vazamentos das investigações envolvem até o Poder Judiciário, lançando sombras sobre conexões suspeitas entre empresas familiares de dois ministros do Supremo Tribunal e o banqueiro investigado. O Brasil enfrenta mais uma vez o fantasma de uma corrupção institucional generalizada, demonstrando que os vícios do passado dificilmente são superados.

Fonte: Philenews

Source: Philenews