Quadrilha roubava medicamentos oncológicos e revendia a hospitais públicos no Brasil
A Polícia Civil do Rio de Janeiro lançou a "Operação Metástase" contra um gang especializado em assaltar cargas de medicamentos contra o cancro. Cinco suspeitos foram detidos.

"Operação Metástase" desmantela rede de roubo de fármacos oncológicos no Rio de Janeiro
A Polícia Civil do Rio de Janeiro desencadeou esta terça-feira uma operação de grande escala nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, visando uma organização criminosa que assaltava camiões carregados com medicamentos contra o cancro e revendia os fármacos a hospitais públicos. O caso foi avançado pelo Correio da Manhã.
Até meio da manhã, cinco suspeitos tinham sido detidos. A ação, denominada "Operação Metástase", prosseguia nas quatro regiões para cumprir mandados de prisão adicionais e 97 mandados de busca e apreensão.
Violência e armamento pesado nos assaltos
Segundo o delegado André Prates, que comanda a operação, a quadrilha recorria a violência intensa para interceptar veículos de transporte de mercadorias. Só num período de um ano, o grupo terá assaltado pelo menos 40 camiões carregados com fármacos oncológicos.
Os assaltantes utilizavam espingardas de guerra de alto poder ofensivo e actuavam em grupo organizado: membros colocados em posição de cobertura protegiam os executantes da acção, enquanto estes forçavam os motoristas a imobilizar os pesados no meio da estrada e assumiam o controlo das viaturas.
Complexo da Maré como centro de redistribuição
Após cada assalto, toda a carga era transportada para o Complexo de Favelas da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro. Aí, os assaltantes recebiam o pagamento previamente combinado e entregavam os medicamentos a receptores.
Esses receptores encarregavam-se de dispersar as caixas por outras favelas do Rio de Janeiro, estratégia que visava dificultar a localização dos fármacos por parte das autoridades e limitar as perdas em caso de intervenção policial.
25 empresas fantasma para vender a hospitais públicos
Para escoar o produto dos assaltos, a organização criou 25 empresas farmacêuticas de fachada em vários estados brasileiros. Através dessas sociedades, o grupo participava formalmente em licitações públicas — e vencia-as com frequência, ao apresentar preços inferiores aos praticados por empresas legítimas. Os medicamentos roubados, todos de alto custo, chegavam assim a hospitais públicos com aparência de transacção legal.
André Prates confirmou que esta estrutura comercial paralela era parte central do esquema, permitindo ao gang transformar bens roubados em receitas provenientes de contratos estatais.
Risco directo para doentes
Para além dos crimes de roubo, receptação e fraude, a quadrilha incorreu ainda em crimes contra a saúde pública. Os medicamentos oncológicos exigem condições rigorosas de temperatura e armazenamento durante todo o circuito de distribuição — condições que, segundo as autoridades, não foram asseguradas pelo grupo criminoso.
Permanece por apurar em que estado de qualidade e eficácia os fármacos chegaram aos doentes que os receberam nos hospitais públicos abastecidos pela rede.
Source: Correio da Manhã