Dois policiais baleados no Muquiço fecham Avenida Brasil em Guadalupe

Bandidos atacaram viatura da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense na Zona Norte do Rio. Um agente foi atingido na cabeça e está em estado grave.

Dois policiais baleados no Muquiço fecham Avenida Brasil em Guadalupe

Ataque a policiais no Muquiço paralisa trecho da Avenida Brasil

Dois agentes da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) foram baleados nesta quarta-feira após bandidos atacarem a viatura em que trafegavam pela Avenida Brasil, na altura da comunidade do Muquiço, em Guadalupe, Zona Norte do Rio de Janeiro, relata oglobo.globo.com. O veículo transportava quatro policiais no total. Os feridos foram encaminhados ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo.

Um dos agentes foi atingido na cabeça e se encontra em estado grave. A outra policial sofreu lesões na perna esquerda e tem quadro estável, segundo informações da corporação.

Operação mobiliza dezenas de equipes e dois helicópteros

Em resposta imediata ao ataque, policiais civis iniciaram uma operação no interior do Muquiço. Dezenas de equipes foram deslocadas para percorrer a comunidade a pé. Dois helicópteros da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) sobrevoam a região.

Em nota oficial, a Polícia Civil afirmou que "ataques contra agentes de segurança pública representam um ataque direto ao Estado" e garantiu que seguirá "atuando de forma firme e permanente no combate às facções e na repressão a criminosos".

Via interditada e 36 linhas de ônibus com itinerários alterados

O Centro de Operações e Resiliência (COR) da Prefeitura do Rio emitiu alerta orientando motoristas a evitar a região. Uma faixa da pista lateral e outra da pista central foram interditadas no sentido Centro, próximo à estação BRT Guadalupe. O funcionamento do BRT não foi afetado.

Em razão do confronto, 36 linhas de ônibus tiveram seus itinerários alterados, conforme informou o Rio Ônibus. Entre as linhas impactadas estão a 300 (Sulacap x Candelária), 369 (Bangu x Candelária), 378 (Marechal Hermes x Castelo), 384 (Pavuna x Passeio), 386 (Anchieta x Candelária), 397 (Campo Grande x Candelária), 669 (Pavuna x Méier), 737 (Santíssimo x Cascadura), 754 (Santa Cruz x Terminal Deodoro), 777 (Padre Miguel x Madureira) e 908 (Term. Deodoro x Bonsucesso), entre outras.

Escolas da região seguem em funcionamento

A Secretaria Municipal de Educação (SME) informou que as unidades escolares na área do Muquiço funcionaram normalmente nesta quarta-feira. De acordo com a assessoria de imprensa da pasta, "as atividades serão encerradas assim que for possível sair em segurança".

Contexto: chefe do TCP preso no mês anterior

O Muquiço é território associado ao Terceiro Comando Puro (TCP). No mês passado, Bruno da Silva Loureiro, 43 anos, conhecido como Coronel do Muquiço e apontado pelas forças de segurança como um dos criminosos mais procurados do estado, foi preso no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, quando estava internado para tratar uma infecção e prestes a passar por procedimento cirúrgico.

Bruno acumula anotações por homicídio, tráfico de drogas, roubo, lesão corporal, receptação, porte ilegal de arma e associação criminosa. Entre os crimes que lhe são atribuídos está o assassinato de Sther Barroso dos Santos, 22 anos, morta em agosto do ano passado após se recusar a sair com um traficante durante um baile funk em Senador Camará. Segundo a investigação, a jovem foi retirada da festa, espancada e torturada antes de ter o corpo abandonado na porta de casa.

O traficante também é apontado como mandante da execução de Vitor Lima da Cunha, morto em 2022 após migrar do TCP para o Comando Vermelho. Esse inquérito levou ao indiciamento do ex-assessor do deputado estadual Val Ceasa, Michael Johnny Vianna de Azevedo, suspeito de ter participado do pagamento pelo homicídio. O nome de Coronel do Muquiço apareceu ainda em investigações do Ministério Público sobre supostas ligações entre integrantes e ex-integrantes do gabinete de Val Ceasa e membros da facção.

Source: Google News BR — Crime