Iranianos presos em Santos com 180 kg de cocaína destinada a Dubai têm preventiva mantida

Dois cidadãos iranianos flagrados com 180 kg de cocaína em Santos tiveram prisão preventiva mantida pela Justiça Federal. O MPF aponta organização transnacional com rota ao Oriente Médio.

Iranianos presos em Santos com 180 kg de cocaína destinada a Dubai têm preventiva mantida

Iranianos presos em galpão de Santos integram rede de tráfico com destino a Dubai, aponta MPF

Conforme reportado por cnnbrasil.com.br, o Ministério Público Federal afirma que dois cidadãos iranianos presos em flagrante em Santos integram uma organização criminosa internacional voltada ao tráfico de cocaína para o Oriente Médio, com Dubai como destino principal.

Saeid Sabouri, de 52 anos, e Nima Kenareifard, de 25, foram detidos em 12 de maio no imóvel onde a carga estava armazenada. Na quarta-feira (3), a Justiça Federal manteve as prisões preventivas dos dois, após rejeitar os pedidos de liberdade formulados pelas defesas. O processo corre na 5ª Vara Federal Criminal de Santos, ainda em fase de inquérito policial.

Os investigados foram presos com cerca de 180 kg da droga, distribuída em 178 tabletes escondidos em sacos de café armazenados no galpão, com destino declarado a Dubai.

Investigação de meses e campana de três dias

Policiais civis do Deinter-6 investigavam há meses um indivíduo suspeito de manter relações com integrantes de organização criminosa com atuação entre o Brasil e o Oriente Médio. O boletim de ocorrência descreve que havia "fundada suspeita de que referido investigado estivesse finalizando os trâmites para o embarque de aproximadamente 150 kg de cocaína com destino a Dubai".

Após três dias de campana em viatura descaracterizada, os agentes identificaram movimentação atípica no imóvel. Ao entrarem no galpão, encontraram sacos de café, tonéis e caixas com produtos de beleza. A divergência de peso e textura entre algumas sacas levou à abertura de todas elas, onde foram encontrados 178 tabletes de substância em pó branco, confirmada como cocaína em análise preliminar.

Silêncio e nervosismo dos detidos

Sabouri, que respondia pelo galpão, exerceu o direito ao silêncio desde a abordagem policial. Seis aparelhos celulares e contas de luz em seu nome foram apreendidos. Kenareifard se apresentou inicialmente como compatriota e intérprete de Sabouri, alegando estar no local apenas para auxiliar no desembaraço documental de mercadorias destinadas a Dubai. Posteriormente, também optou pelo silêncio.

O policial civil responsável pelo flagrante relatou que os dois "demonstraram visível nervosismo" ao serem informados sobre a suspeita de tráfico e "optaram pelo silêncio".

Competência transferida à Justiça Federal

O caso nasceu na Vara Regional das Garantias da 7ª Região Administrativa Judiciária de Santos, no âmbito da Justiça Estadual. O juiz de direito declinou a competência para a Justiça Federal por se tratar de tráfico de caráter internacional, citando precedente do STJ: "A competência da Justiça Federal para julgamento de crime de tráfico de entorpecentes apenas se efetiva com a suficiente comprovação de seu caráter internacional."

O processo foi redistribuído à 5ª Vara Federal Criminal de Santos.

MPF: estrutura "transnacional" e quantidade acima do varejo

Na audiência de custódia, o Ministério Público Federal manifestou-se pela regularidade do flagrante e pela manutenção das prisões preventivas. O juiz homologou os flagrantes e os converteu em prisões preventivas com base nos artigos 312 e 313, inciso I, do Código de Processo Penal.

Na decisão, o magistrado apontou que "a vultosa quantidade de entorpecente apreendido, aliada ao modus operandi empregado, evidenciado pelo meticuloso acondicionamento da droga em tabletes e sua dissimulação no interior de uma carga lícita destinada ao exterior, constituem vetores indicativos da magnitude e da capacidade operacional do grupo criminoso".

Sobre o risco de fuga, o juiz destacou que "a condição de estrangeiros de ambos os custodiados, somada à manifesta ausência de vínculos com o distrito da culpa, eleva a um patamar concreto o risco de evasão".

Em manifestação subscrita por cinco procuradores da República, o Gaeco da Procuradoria da República em São Paulo sustentou que "a estrutura necessária para a remessa de narcóticos em larga escala para outros continentes indica que os custodiados estão inseridos em um contexto de criminalidade organizada com atuação transnacional". O órgão acrescentou que a quantidade apreendida "retira o caso da mera traficância varejista e o coloca em um patamar de criminalidade organizada de vulto".

O MPF ainda refutou o argumento das defesas de que a instabilidade geopolítica no Irã reduziria o risco de fuga: "Ambos os investigados são iranianos. A condição de estrangeiros, somada à manifesta ausência de vínculos com o distrito da culpa, eleva o risco de evasão para o exterior ou busca de refúgio em seus países de origem."

Defesas propõem tornozeleiras e apontam vínculos com o Brasil

Os advogados dos investigados apresentaram três pedidos de revogação da prisão preventiva ou concessão de liberdade provisória com medidas cautelares. Ambas as defesas propuseram monitoração eletrônica por tornozeleira e retenção de passaporte como alternativas à prisão.

A defesa de Kenareifard argumentou que ele reside no Brasil há mais de seis anos, exerce atividade lícita como intérprete e não teve nenhum objeto ilícito apreendido em seu poder. Destacou ainda que "a investigação que precedeu a prisão tinha como foco o coinvestigado Saeid Sabouri, responsável pelo galpão".

A defesa de Sabouri juntou documentos comprovando residência fixa em Santos e permanência migratória regular no país, com prorrogação de estada deferida pela própria Polícia Federal até julho de 2026. O argumento apresentado foi que "quem pretende fugir não comparece à Polícia Federal para regularizar sua situação migratória". Todos os pedidos foram rejeitados pelo juízo federal.

Source: Google News BR — Crime