Carga de madeira boliviana impregnada de droga é apreendida no Brasil; líder cívico exige punição

Vice-presidente do Comitê Cívico Pró Santa Cruz classifica como 'vergonha nacional' o caso de madeira com cocaína descoberta no Brasil e pede responsabilização de funcionários envolvidos.

Carga de madeira boliviana impregnada de droga é apreendida no Brasil; líder cívico exige punição

Carga de madeira boliviana impregnada de droga é apreendida no Brasil; líder cívico exige punição

As autoridades brasileiras decomisaram um carregamento de 260 toneladas de madeira exportada da Bolívia, suspeita de estar impregnada com cocaína, durante uma operação conjunta envolvendo a Administração para o Controle de Drogas (DEA) dos Estados Unidos e a Alfândega Nacional da Bolívia. A ação, denominada 'Escudo Maderero', foi realizada nas cidades de Corumbá (Mato Grosso do Sul) e Cáceres (Mato Grosso), após dias de vigilância e troca de informações de inteligência, segundo informações do portal eju.tv.

A apreensão ocorreu após a intervenção em quatro caminhões que transportavam madeira proveniente do departamento de Santa Cruz, quando as autoridades suspeitaram da existência de cocaína líquida na madeira exportada legalmente.

O vice-presidente do Comitê Cívico Pró Santa Cruz, Agustín Zambrana, qualificou o caso como uma "vergonha nacional" e exigiu que se definam responsabilidades e sanções exemplares no Estado. O cívico advertiu que não se deve negociar com o narcotráfico e apontou que o caso evidencia a falta de controles internos e a permissividade de governos anteriores, que teriam convertido a Bolívia em um território fértil para o narcotráfico.

"É uma vergonha para o povo boliviano, mas deve ser visto como um ponto de inflexão para começar a corrigir os mecanismos internos de controle de drogas na Bolívia. Se isso não foi detectado pelo Estado boliviano previamente, há responsabilidades e nessas responsabilidades terão que rolar cabeças", enfatizou Zambrana em conferência de imprensa.

O líder cívico exigiu que os funcionários envolvidos em negociatas com o narcotráfico sejam punidos exemplarmente, para que a sociedade veja que o crime não fica impune. Ele também pediu transparência nas investigações e sanções públicas para todos os responsáveis.

Zambrana afirmou que os cruceños não permitirão negócios, passividade nem benevolência ao narcotráfico e pediu às autoridades que lutem contra esse mal. "Precisamos dar exemplo à nossa sociedade boliviana de que não se vai negociar com o narcotráfico", declarou.

O cívico também mencionou que a Bolívia deve ser ativa nas investigações do narcotráfico relacionadas às drogas encontradas no Brasil, no Chile e em qualquer lugar do continente, uma vez que o país teria permitido o trânsito e a construção de cartéis de droga dentro de seu território, citando o caso do narcotraficante uruguaio Sebastián Marset e outros grandes casos ocorridos nos últimos 15 a 20 anos.

No início do mês, a Fiscalia e a Alfândega do Chile apreenderam cerca de mil toneladas de madeira exportada por 15 empresas bolivianas, nas quais supostamente foram detectadas cerca de 100 toneladas de cocaína também impregnadas no produto, segundo as autoridades chilenas. Zambrana insistiu que esses casos exigem uma resposta contundente do Estado e não podem ficar na impunidade.

Source: Google News BO — Crime