STF condena Eduardo Bolsonaro por pressionar autoridades estrangeiras contra julgamento do pai
Primeira Turma do Supremo condena, por unanimidade, filho do ex-presidente por crime contra a administração da justiça após articulações nos Estados Unidos.

STF condena Eduardo Bolsonaro por pressionar autoridades estrangeiras contra julgamento do pai
Os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiram, de forma unânime, punir o ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro pelo delito de coação no curso do processo. A sessão de julgamento aconteceu na terça-feira (16). A denúncia sustenta que ele atuou junto a autoridades dos Estados Unidos para que estas adotassem sanções contra representantes e órgãos do Brasil, buscando atrapalhar o procedimento criminal que apurava a responsabilidade do ex-chefe do Executivo Jair Bolsonaro em suposta tentativa de ruptura institucional. O ex-mandatário foi posteriormente sentenciado em setembro e, no momento, cumpre sua sanção em casa, em regime humanitário.
Conforme noticiado pela BBC, o ex-legislador teria se mobilizado, em viagem ao território norte-americano, para que a gestão de Donald Trump decretasse represálias contra pessoas e entidades nacionais. A intenção seria bloquear o andamento da ação penal que investigava o pai. O ex-presidente foi, de fato, punido meses depois e, hoje, cumpre pena em domicílio, por razões humanitárias.
A sentença contra Eduardo repercutiu além das fronteiras. Na própria cúpula do G7, realizada em Evian, na França, Donald Trump abordou o tema em entrevista à imprensa, embora tenha trocado o ex-deputado pelo irmão senador. O mandatário dos EUA declarou ter sido informado de que "prenderam o Bolsonaro Jr." ou que há intenção de detê-lo devido a pronunciamentos realizados no Texas. Na prática, o que ocorreu foi uma condenação judicial, não uma ordem de prisão preventiva.
O parlamentar Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, aparece, segundo levantamentos de intenção de voto, como o maior competidor do atual ocupante do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, numa eventual disputa eleitoral. Na mesma entrevista, Trump qualificou o Brasil como "perigoso politicamente" e avaliou que a conjuntura nacional está "um pouco difícil".
A punição de Eduardo Bolsonaro coincide com uma fase de atritos renovados entre Brasília e Washington. No início de junho, a administração dos EUA formalizou a inclusão das facções Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho na lista de grupos terroristas. Paralelamente, o governo Trump analisa a aplicação de sobretaxa de 25% sobre parcela das mercadorias importadas do Brasil, justificando a medida com alegadas distorções comerciais em setores como plataformas digitais, meios de pagamento eletrônico, mercado de etanol e supressão ilegal de vegetação.
A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelo Departamento de Estado constitui um duro golpe para o Palácio do Planalto nas relações diplomáticas com os norte-americanos.
Source: Google News BR — Crime