Chefe do tráfico do Muquiço preso: quem é Bruno Loureiro, o "Coronel"
Dois policiais civis foram baleados no Muquiço, em Guadalupe, área dominada pelo TCP. O chefe da facção na comunidade, Bruno da Silva Loureiro, foi preso no mês passado.

Tiros na Avenida Brasil expõem o perfil do líder do tráfico no Muquiço
O intenso tiroteio que fechou a Avenida Brasil e deixou dois policiais civis feridos na manhã desta quarta-feira ocorreu na comunidade do Muquiço, em Guadalupe, segundo oglobo.globo.com. A área é dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP) e tem como principal chefia criminosa Bruno da Silva Loureiro, de 43 anos, conhecido como Coronel do Muquiço.
Bruno foi preso no mês passado no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, onde estava internado para tratar uma infecção. Segundo a Polícia Militar, ele estava prestes a ser submetido a um procedimento cirúrgico quando foi detido. Equipes do 41º BPM (Irajá) realizaram um cerco no entorno da unidade de saúde para garantir a segurança da operação.
Chefe do tráfico na comunidade localizada entre Guadalupe e Deodoro, ele é acusado de ordenar execuções e controlar territórios do TCP. Figura em investigações de crimes marcados pela extrema violência, entre eles o assassinato de uma jovem de 22 anos.
Jovem morta após recusar traficante em baile funk
Entre os crimes atribuídos a Bruno Loureiro está a morte de Sther Barroso dos Santos, de 22 anos, assassinada em agosto do ano passado após se recusar a sair com um traficante durante um baile funk em Senador Camará.
Segundo parentes e a investigação da Polícia Civil, Sther participava da festa quando foi abordada por um criminoso ligado ao tráfico. Após a recusa, teria sido retirada do local, espancada e torturada. Horas depois, seu corpo foi abandonado na porta da casa onde morava, na Vila Aliança. Ela chegou a ser levada ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, mas já estava morta.
O crime provocou forte comoção. A família afirmou que Sther não tinha qualquer envolvimento com atividades criminosas e vivia um momento de conquistas pessoais: estava tirando a carteira de habilitação, planejava se mudar para um novo apartamento e sonhava em constituir família. A irmã relatou nas redes sociais que havia ajudado Sther a se arrumar para o baile poucas horas antes do assassinato e que a família recebeu o corpo desfigurado pelas agressões. A Polícia Civil investiga se Bruno Loureiro foi o mandante do crime.
Execução e rastreamento de ex-integrante do TCP
O traficante também é apontado como responsável por determinar a execução de Vitor Lima da Cunha, morto em junho de 2022 após deixar o TCP e migrar para a facção rival Comando Vermelho. De acordo com a investigação, uma mulher foi usada para atrair a vítima para fora do Complexo da Penha e conduzi-la até o Recreio dos Bandeirantes, onde o homicídio foi cometido.
Esse inquérito levou os investigadores a identificar a participação de Michael Johnny Vianna de Azevedo, ex-assessor do deputado estadual Val Ceasa (PRD). Segundo a Polícia Civil, Michael teria realizado uma transferência bancária relacionada ao pagamento prometido pela execução. Ele foi indiciado por sequestro e cárcere privado, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Deputado estadual no centro das investigações
O nome de Bruno voltou ao centro das atenções na última quinta-feira, quando uma operação do Ministério Público do Rio (MPRJ) — que apura a ligação de agentes públicos com o TCP — teve como um dos alvos o deputado estadual Val Ceasa. Durante a investigação, promotores identificaram vínculos entre integrantes e ex-integrantes do gabinete do parlamentar e membros da facção criminosa.
Michael Johnny trabalhou como assessor de Val Ceasa entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025. Após deixar o gabinete, foi nomeado para um cargo na Rioluz. Preso em flagrante durante a operação do MPRJ por posse ilegal de arma de fogo, acabou exonerado pela Prefeitura do Rio.
Ficha extensa e policiamento reforçado
Apontado como um dos criminosos mais procurados do estado, Bruno da Silva Loureiro acumula anotações por homicídio, tráfico de drogas, roubo, lesão corporal, receptação, porte ilegal de arma e associação criminosa, segundo as forças de segurança. A ocorrência foi registrada na 39ª DP (Pavuna), e o policiamento permaneceu reforçado nos arredores do Hospital Ronaldo Gazolla após a captura.
Source: Google News BR — Crime