Vereador paulistano é detido em operação sobre desvios milionários em empresa de ônibus

Polícia Civil prendeu Senival Moura (PT) em investigação sobre supostos repasses irregulares na Transunião. Autoridades afirmam que ex-dirigente da companhia foi executado em 2020 por criminosos ligados ao PCC.

Vereador paulistano é detido em operação sobre desvios milionários em empresa de ônibus

Vereador paulistano é detido em operação sobre desvios milionários em empresa de ônibus

A Polícia Civil de São Paulo prendeu na quarta-feira (25) o vereador Senival Moura (PT), suspeito de participar de um esquema de desvio de recursos na companhia de transporte Transunião. As autoridades estimam que os prejuízos possam alcançar R$ 15 milhões.

Os investigadores acreditam que o parlamentar era o destinatário principal dos valores desviados. Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo, o delegado Ronaldo Sayeg, que comanda o Deic, revelou detalhes surpreendentes sobre o caso.

De acordo com as apurações, um ex-presidente da Transunião chamado Adauto Soares Jorge foi executado em 2020 por criminosos vinculados ao Primeiro Comando da Capital. A motivação teria sido a descoberta, pela facção, de irregularidades financeiras na empresa. O vereador, diferentemente do ex-dirigente, supostamente conseguiu escapar da mesma punição ao prometer que devolveria o dinheiro retirado indevidamente.

Sayeg explicou que não foi possível confirmar nem o valor exato prometido pelo político nem se ele efetivamente cumpriu com o ressarcimento. Ainda assim, a versão aponta para uma negociação direta entre o edil e membros da organização criminosa para salvar sua própria vida.

As investigações indicam que Adauto Jorge ocupava o cargo de presidente formal da Transunião, mas na prática seguia ordens de pessoas que não constavam nos registros societários. A polícia identificou Senival Moura e Leonel Moreira Martins como os responsáveis por controlar os negócios da empresa por trás das aparências legais.

A interferência do vereador teria provocado desavenças dentro do próprio PCC. Durante uma operação de busca anterior, os agentes encontraram correspondências manuscritas que expunham conflitos internos sobre a administração da companhia. Um dos textos mencionava uma suposta limpeza da empresa, retirando "pessoas de má-fé", e incluía Leonel na lista dos que deveriam ser afastados.

Nesses documentos, Senival Moura aparecia sob várias alcunhas, entre elas "cabeça branca", "véio", "velhinho" e simplesmente "vereador". Outro bilhete apreendido sugeria que Leonel obedecia às ordens do político e que ambos estariam envolvidos nas manobras irregulares.

A polícia atribui o assassinato de Adauto a dois indivíduos: Jair Ramos de Freitas, apelidado de Cachorrão, que teria função de dirigente informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento, conhecido como Sapo, descrito como próximo ao vereador. O defensor de Devanil, José Miguel da Silva Júnior, contestou a prisão temporária de seu cliente e já solicitou a revogação da medida, argumentando que ele sempre colaborou com as autoridades.

Os investigadores sustentam que o vereador transformou a Transunião em uma ferramenta para movimentar recursos de forma ilícita, com o objetivo de financiar atividades de associados ao PCC. Além disso, as apurações desta operação apresentam ligações com o inquérito que, em maio, levou à prisão da advogada e digital influencer Deolane Bezerra, acusada de lavagem de capitais para a facção. Ela nega as acusações.

A equipe de comunicação de Senival Moura informou que uma nota oficial sobre o caso seria divulgada, mas não indicou quem representaria o vereador judicialmente.

Source: Google News BR — São Paulo