Tenente da Rota baleado na cabeça em São Caetano do Sul: dois presos, atiradores foragidos

Tenente Ronickson Pimentel foi alvejado na cabeça em semáforo na Grande SP; investigação aponta ação coordenada com divisão de tarefas e veículos de apoio.

Tenente da Rota baleado na cabeça em São Caetano do Sul: dois presos, atiradores foragidos

Atentado contra tenente da Rota tem sinais de planejamento prévio, aponta investigação

Conforme apurou o g1.globo.com, a investigação sobre o atentado contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, indica que o ataque foi resultado de uma ação articulada, com divisão de tarefas, veículos de apoio e estratégias deliberadas para dificultar a identificação dos envolvidos.

Pimentel foi baleado na cabeça na manhã de sábado (27) enquanto aguardava em um semáforo na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. O helicóptero Águia o socorreu e o levou ao Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, onde passou por cirurgia de emergência. O policial permanece internado na UTI em estado gravíssimo.

Dois homens suspeitos de prestar suporte logístico ao crime foram presos temporariamente no domingo (28). Os autores dos disparos seguem foragidos.

Juiz aponta estrutura criminosa com funções definidas

O magistrado que autorizou as prisões temporárias afirmou, segundo a GloboNews, que a dinâmica dos fatos não indica uma ação delitiva comum, mas uma investida coordenada contra um agente policial. Na decisão, ressaltou que existem sinais evidentes de planejamento prévio, divisão de tarefas, utilização de veículos de apoio e estratégias de evasão e ocultação de vestígios.

O atentado foi executado por dois homens em motocicleta. O veículo apresentava sinais de adulteração e tinha registro vinculado a produto de crime anterior — elemento que, para o juiz, reforça a suspeita de uma ação previamente estruturada.

Renault Logan monitorado por câmeras de segurança

As imagens de monitoramento analisadas pela polícia identificaram a participação de um Renault Logan, de placas QXL-1A50, na dinâmica do crime. Segundo a investigação, o carro atuou em conjunto com os executores antes e depois dos disparos, acompanhando a motocicleta durante o atentado. Para a Justiça, a presença do veículo indica que os atiradores não agiram sozinhos.

Após os disparos, o Renault Logan passou a circular junto com outros dois veículos: um Fiat Palio e um GM Astra. Os condutores dos três carros foram identificados e presos temporariamente. As imagens mostram que os veículos mantiveram deslocamento coordenado e proximidade constante após o crime.

Encontro em local isolado afasta hipótese de coincidência

A investigação aponta ainda que, após trafegarem juntos, os ocupantes dos três veículos se reuniram em um local de pouca movimentação. Para o juiz, esse encontro afasta a hipótese de coincidência e reforça a suspeita de atuação conjunta previamente combinada.

O intervalo de tempo entre o atentado e a movimentação conjunta dos veículos também foi considerado relevante. Os disparos ocorreram por volta das 11h20 de sábado. Cerca de uma hora depois, às 12h19, o Renault Logan, o Fiat Palio e o GM Astra foram registrados pelas câmeras trafegando juntos.

Contradição em depoimento e descarte de vestígios

A Justiça também cita contradições no depoimento de um dos suspeitos presos. Segundo relato de um policial militar, ele negou qualquer contato com o Renault Logan. As imagens analisadas pela investigação, porém, mostram aproximação e interação entre os ocupantes dos veículos.

Outro elemento destacado pela investigação envolve a tentativa de eliminar vestígios. Câmeras registraram um dos envolvidos descartando a motocicleta, o capacete e parte das vestes após a ação — medida avaliada como tentativa de dificultar a identificação dos suspeitos e comprometer a produção de provas.

Trajetória do tenente baleado

Ronickson Pimentel dos Santos ingressou na corporação em 2009 como soldado, após atuar como fuzileiro naval na Marinha do Brasil entre 2006 e 2009. Em 2015, passou a integrar o quadro de oficiais da Polícia Militar por meio da Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Ao longo da carreira, acumulou sete anos de experiência em patrulhamento de Força Tática e, em 2019, foi designado ao 1º Batalhão de Polícia de Choque Tobias de Aguiar, a Rota.

Pimentel é também irmão mais velho de Eloá Cristina Pimentel, adolescente de 15 anos assassinada em 2008 após ser mantida em cárcere privado pelo ex-namorado Lindemberg Alves, em Santo André — caso que teve grande repercussão nacional.

Source: Google News BR — São Paulo