Três mortos em quatro dias em operações da Rota na Grande São Paulo e litoral

Batalhão de elite paulistano abateu três pessoas em menos de uma semana ao perseguir supostos envolvidos em tentativa de assassinato contra um tenente da PM.

Três mortos em quatro dias em operações da Rota na Grande São Paulo e litoral

Três mortos em quatro dias em operações da Rota na Grande São Paulo e litoral

O batalhão de choque Rota abateu três pessoas entre segunda e quinta-feira em ações realizadas na capital, na região metropolitana e no litoral sul de São Paulo. Os policiais alegavam perseguir indivíduos ligados a uma tentativa de matar o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, irmão de Eloá Pimentel — vítima de um crime que marcou o país em 2008.

Os três registros de ocorrência citam explicitamente o ataque contra o oficial. Contudo, nos dois casos em que houve identificação dos falecidos, o governo estadual negou qualquer conexão deles com o episódio. Uma quarta morte provocada pelo mesmo batalhão aconteceu em Guarulhos, mas sem referência ao tenente nos papéis da corporação.

A última fatalidade ocorreu na noite de quinta em Peruíbe. De acordo com documento da polícia ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso, agentes foram até o município litorâneo após receberem informação sigilosa sobre o esconderijo de um homem conhecido como Galego. A denúncia o associava a um grupo criminoso e ao atentado contra o militar.

O suspeito estaria em uma caminhonete. Durante o patrulhamento, os agentes localizaram o automóvel e o homem teria corrido até a rua Cuiabá, onde, segundo a versão oficial, iniciou-se um tiroteio. Atingido, ele foi levado a uma unidade de pronto-atendimento local, onde veio a óbito. A polícia relatou ter usado dois disparos de fuzil e três de pistola.

Galego foi posteriormente identificado como Elenilson Misael da Silva, que carregava uma arma de fogo. A ocorrência foi classificada como morte por ação policial, posse ilegal de arma e legítima defesa. A reportagem constatou que ele não tinha ficha criminal. A Secretaria da Segurança Pública esclareceu, em comunicado, que não há provas até agora de sua participação no crime contra o tenente.

Na quarta-feira de manhã, um segundo homem — de 30 anos — foi abatido na Vila Nancy, bairro do distrito do Lageado, zona leste da capital. A Rota disse ter sido informada sobre um membro de facção criminosa que estaria em um carro branco e que supostamente teria envolvimento indireto no ataque ao oficial.

Ao ser abordado, segundo o registro policial, o jovem teria sacado uma arma em direção aos agentes, que reagiram com fogo. Ele chegou a ser socorrido com ferimentos na boca e na nuca, mas morreu no hospital. Junto ao corpo foram achados documentos, cartões bancários e uma quantia em dinheiro. O veículo, porém, tinha uma placa diferente daquela indicada na denúncia original.

Em entrevista concedida à imprensa, o capitão Hillen Diniz afirmou que o falecido possivelmente tinha envolvimento indireto na tentativa de homicídio. No dia seguinte, contudo, a corporação emitiu comunicado oficial afirmando que não considerava o homem suspeito do atentado.

O primeiro óbito aconteceu na madrugada de segunda, na estrada do Aricanduva, também na zona leste. Mais uma vez, a Rota afirmou ter sido alertada por denúncia anônima sobre alguém participante da tentativa de matar um policial militar. Os agentes relataram que, ao chegarem ao endereço, foram alvejados e tiveram que revidar. O cadáver, não identificado até o momento, tinha perfurações no peito e nas costas. A via é de terra, sem infraestrutura ou iluminação, situada em região de vulnerabilidade social.

Todos os agentes envolvidos usavam equipamentos de filmagem corporal, mas as gravações não foram liberadas junto com os registros das operações.

Source: Google News BR — São Paulo