Operação 'Neblina Atlântica': duas mulheres em prisão preventiva por fraude de imigração em Coimbra

Tribunal de Instrução Criminal de Coimbra decretou prisão preventiva para duas mulheres ligadas a escritório de contabilidade e suspendeu funções de chefe de serviço das Finanças, suspeitos de regularização fraudulenta de milhares de imigrantes.

Operação 'Neblina Atlântica': duas mulheres em prisão preventiva por fraude de imigração em Coimbra

Operação 'Neblina Atlântica': duas mulheres em prisão preventiva por fraude de imigração em Coimbra

O Tribunal de Instrução Criminal de Coimbra aplicou prisão preventiva a duas mulheres vinculadas a um escritório contabilístico, na segunda-feira. Um chefe de serviço das Finanças foi igualmente afastado das suas funções. Todos são suspeitos de integrarem uma rede que terá conseguido regularizar ilegalmente milhares de cidadãos estrangeiros, auferindo lucros milionários.

Para além da detenção, as duas arguidas ficaram proibidas de contactar outros suspeitos e intervenientes no caso, conforme comunicado da Procuradoria-Geral Regional de Coimbra.

O funcionário público das Finanças, também apontado como membro do grupo, viu as suas funções suspensas e foi impedido de contactar arguidos, intervenientes e subordinados, bem como de aceder às instalações do serviço que dirigia.

Um quarto suspeito, de nacionalidade estrangeira, foi obrigado a apresentações periódicas às autoridades, a entregar o passaporte e a não abandonar o território nacional. Ficou igualmente proibido de contactar os restantes suspeitos.

Os quatro indivíduos foram detidos na semana anterior no âmbito da operação policial "Neblina Atlântica". Segundo as autoridades, o grupo terá lucrado milhões de euros ao facilitar a regularização de milhares de imigrantes, grande parte dos quais residia noutros Estados europeus.

Os crimes em apreço incluem associação criminosa, auxílio à imigração ilegal, corrupção e branqueamento de capitais. A ação da Polícia Judiciária resultou na detenção de cinco pessoas, entre elas um funcionário das Finanças na região Centro, e na constituição de mais 15 arguidos.

De acordo com Avelino Lima, diretor da PJ do Centro, a rede atuava principalmente na zona entre Cantanhede e Mealhada. Os suspeitos apresentavam-se perante os migrantes como um prestador de serviços legítimo, cobrando cerca de 200 euros por cada processo iniciado.

Consoante as necessidades de cada dossier, exigiam valores adicionais para criar números de identificação fiscal, registar contratos de trabalho em empresas — algumas reais, outras fictícias — ou qualificar os clientes como trabalhadores independentes através de recibos verdes.

A esmagadora maioria dos imigrantes que recorreu a estes serviços não se encontra sequer em Portugal, residindo sobretudo na Bélgica, França e Suíça, precisou o responsável da PJ.

Avelino Lima indicou que poderão estar envolvidos cerca de dez mil imigrantes, embora o número exacto ainda esteja a ser apurado, uma vez que alguns processos remontam a 2022. O dirigente alertou para a capacidade destas organizações se infiltrarem em estruturas do Estado, motivadas pelos elevados ganhos económicos que geram.

Uma quinta pessoa foi igualmente detida durante a operação, mas apenas por posse de arma proibida, num processo autónomo.

Fonte: Correio da Manhã

Source: Correio da Manhã