Condenados por matar casal alemão em Alentejo aguardam nova decisão em liberdade

Dois caseiros sentenciados a 22 anos pela morte de idosos alemães em 2023 continuam soltos. O tribunal adiou o novo acórdão para setembro, invocando o período de férias dos magistrados.

Condenados por matar casal alemão em Alentejo aguardam nova decisão em liberdade

Condenados por matar casal alemão em Alentejo aguardam nova decisão em liberdade

Um homem e uma mulher, sentenciados a duas décadas de prisão pelo assassinato de dois turistas alemães na região alentejana, mantêm-se em liberdade enquanto aguardam uma terceira decisão judicial, prevista apenas para o próximo mês de setembro.

Os factos remontam a abril de 2023, altura em que Ian Otto, com 79 anos, e Ilse Borwart, de 71, foram descobertos sem vida na propriedade onde residiam, denominada Quinta do Paraíso, situada em Baleizão. Os corpos apresentavam já um estado avançado de decomposição. O alerta foi dado pelo filho das vítimas, que vive na Alemanha e não conseguia contactar os progenitores há vários dias.

A investigação da Polícia Judiciária culminou na detenção dos caseiros do casal, identificados como Mónica e Fernando, cerca de um mês depois do crime, na área de Aljustrel. As autoridades apuraram que o motivo estaria relacionado com o agravamento das relações entre os proprietários e os empregados, bem como com questões de dinheiro. Os réus apropriaram-se de um automóvel das vítimas e dos seus cartões bancários.

Os dois arguidos foram postos em liberdade em maio do ano passado, após esgotamento do prazo máximo de detenção preventiva. Em abril de 2024, o Tribunal de Beja proferiu a primeira sentença condenatória, mas a defesa, liderada pelo causídico Pedro Pestana, interpôs recurso. Face à ausência de decisão definitiva, os reclusos acabaram por não voltar para a cadeia.

O Tribunal da Relação de Évora anulou por duas vezes o acórdão do tribunal de primeira instância. Os desembargadores entenderam que os magistrados de Beja não reexaminaram devidamente os elementos de prova, limitando-se a replicar o documento anteriormente invalidado, sem demonstrar que as provas válidas, analisadas isoladamente, eram suficientes para fundamentar as conclusões alcançadas.

Em 23 de abril do ano em curso, o processo regressou ao Tribunal de Beja. Três meses volvidos, a proclamação do novo acórdão foi adiada para setembro, justificando o tribunal que tal se deveu à proximidade das férias judiciais. Enquanto isso, os dois homicidas qualificados permanecem em liberdade.

Pedro Pestana, que representa o casal, classificou como "raríssimo" o facto de um tribunal superior invalidar duas vezes uma condenação. O defensor sublinhou que o segundo documento judicial era essencialmente uma cópia do primeiro.

Presentemente, Mónica e Fernando exercem trabalhos agrícolas ocasionais e voltaram a fixar residência na região alentejana. Embora reconheçam o furto, negam qualquer envolvimento nas mortes. As autoridades judiciais da Alemanha já solicitaram informações a Portugal sobre o desfecho deste processo.

Fonte: Correio da Manhã

Source: Correio da Manhã