Governo analisa falhas na transmissão de alertas do grupo MAL a Montenegro
Executivo promete rever procedimentos de informação a altos cargos do Estado depois de o primeiro-ministro ter descoberto pelos media planos de ataque do grupo de extrema-direita Movimento Armilar Lusitano.

Governo analisa falhas na transmissão de alertas do grupo MAL a Montenegro
O executivo português comprometeu-se a rever os circuitos de comunicação entre as forças de segurança e os responsáveis políticos, após Luís Montenegro ter afirmado que apenas soube pelos meios de comunicação de planos de agressão do grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano (MAL) dirigidos à sua casa e familiares.
A titular da pasta da Justiça, Rita Alarcão Júdice, confirmou ter reunido com representantes do Ministério Público e da Polícia Judiciária para debater o incidente. "Todos aqueles que têm competências nesta área vão fazer uma avaliação para garantir que, no futuro, quando houver necessidade de alertar, os avisos cheguem aos destinatários", declarou à imprensa, no final de uma cerimónia comemorativa na Assembleia da República.
A governante mostrou-se solidária com a posição do chefe do Governo, sublinhando que "ninguém fica indiferente" face a ameaças envolvendo artefactos explosivos e armamento de guerra. "Temos de fazer uma reflexão. Estamos a fazê-la e podemos sempre melhorar", acrescentou, sem no entanto querer apontar dedos às instituições policiais ou judiciais.
O caso remonta à acusação formal apresentada pelo MP na quinta-feira, onde nove indivíduos — incluindo um oficial da PSP colocado na Polícia Municipal de Lisboa — respondem por crimes de terrorismo. A investigação concluiu que o coletivo de extrema-direita preparava atentados contra figuras políticas, formações partidárias, profissionais da comunicação e universitários, tendo chegado a desenhar um plano para atingir a habitação oficial do primeiro-ministro.
Montenegro, questionado sobre o assunto, rejeitou fazer críticas diretas às entidades, preferindo chamar a atenção para "a forma como a informação foi conhecida das pessoas visadas". O líder do executivo defendeu que, perante riscos dessa magnitude, os alvos devem ser contactados diretamente, independentemente do cargo que ocupem.
Fonte: Correio da Manhã
Source: Correio da Manhã