Parlamento convoca secretária-geral do SSI para explicar ameaças de grupo armado de extrema-direita

A Comissão de Assuntos Constitucionais decidiu por unanimidade ouvir Patrícia Barão sobre a UCAT e o Movimento Armilar Armado, após falhas de segurança contra altas figuras do Estado.

Parlamento convoca secretária-geral do SSI para explicar ameaças de grupo armado de extrema-direita

Parlamento convoca secretária-geral do SSI para explicar ameaças de grupo armado de extrema-direita

Os deputados da Comissão de Assuntos Constitucionais aprovaram esta quarta-feira, sem qualquer voto contra, um pedido do Bloco de Esquerda para ouvir com caráter prioritário a secretária-geral do Sistema de Segurança Interna. Patrícia Barão será questionada sobre o modo como opera a Unidade de Coordenação Antiterrorismo, numa sessão que não será pública.

O motivo prende-se com o perigo representado pelo Movimento Armilar Armado, uma organização radical de direita que terá planeado atentar contra diversas figuras públicas. Segundo vários parlamentares, tornaram-se públicas "falhas de segurança gravíssimas" que afetaram o primeiro-ministro Luís Montenegro e o antigo chefe de Estado Marcelo Rebelo de Sousa, entre outros.

Fabian Figueiredo, representante do Bloco de Esquerda, explicou que o conjunto de potenciais alvos incluía ainda membros do legislativo, sedes de formações políticas de esquerda, e entidades como o SOS Racismo e a Casa do Brasil.

O parlamentar exigiu garantias de que os problemas não se repetirão: "Queremos saber o que vai ser feito para o futuro. Não se pode repetir o que aconteceu. Temos de acabar com a cultura de quintal entre as diferentes entidades responsáveis pela segurança." Figueiredo acrescentou que o chefe do Governo e a respetiva escolta desconheciam as ameaças, tendo havido posteriormente uma tentativa de transferir responsabilidades entre os serviços de informação.

António Rodrigues, número dois do grupo do PSD, e João Almeida, do CDS-PP, endossaram a iniciativa. Rodrigues observou que Barão ainda não ocupava o cargo quando a investigação ao grupo teve lugar, mas frisou que "esta questão tem de ser esclarecida, dentro dos limites do segredo de justiça".

A socialista Isabel Moreira subscreveu igualmente o pedido e recordou que o atual titular da Administração Interna, Luís Neves, participou na investigação ao grupo radical enquanto dirigia a Polícia Judiciária. Moreira citou declarações do ministro sobre "uma extrema-direita armada perigosa cujo objetivo é atentar contra o Estado de Direito democrático".

Do lado do Chega, Ricardo Lopes Reis concordou com a audição e afirmou que o partido não se identifica com "nenhum dos extremos".

A sessão registou um momento mais contencioso quando Rui Rocha, antigo líder da Iniciativa Liberal, acusou Eva Cruzeiro e Isabel Moreira de partilharem nas redes sociais um vídeo editado de forma enganosa. O material sugeria que Rocha se surpreendera quando o ministro afirmou que a extrema-direita constitui um risco maior do que a extrema-esquerda. Cruzeiro rejeitou acusações de desrespeito e classificou o vídeo como satírico.

Fonte: Correio da Manhã

Source: Correio da Manhã