Patroa acusada de matar ama com bloco de cimento na Amadora

Ministério Público acusa Ilderlane de homicídio qualificado, detenção de arma proibida, profanação de cadáver e falsidade informática.

Patroa acusada de matar ama com bloco de cimento na Amadora

Patroa acusada de matar ama com bloco de cimento na Amadora

Ilderlane Ferreira foi acusada pelo Ministério Público de quatro infracções criminais, incluindo homicídio qualificado, depois de ter ceifado a vida de Lucinete Freitas, empregada doméstica que cuidava do seu bebé. A vítima morreu após ser atingida quatro vezes na cabeça com um tijolo de construção de 25 kg. Os factos ocorreram a 5 de dezembro de 2025, na zona da Amadora.

A ama tinha começado a trabalhar para o casal por volta de meados do ano passado, num período em que o matrimónio de Ilderlane e Hélder Ferreira já atravessava uma crise conjugal. As desavenças entre os cônjuges eram recorrentes e Lucinete acabou por estreitar laços de confiança com Hélder, situação que terá provocado fortes sentimentos de ciúme na mulher.

De acordo com a magistrada do caso, a suspeita comprou um cartão de telemóvel pré-pago e montou uma identidade fictícia num serviço de mensagens instantâneas, suplantando uma conhecida da falecida. Através deste estratagema, Ilderlane obteve acesso às trocas de mensagens de Lucinete e constatou que esta emitia juízos desfavoráveis sobre a sua pessoa. Consumida por um sentimento de revanche, traçou um plano para eliminar a empregada.

Na tarde do crime, a arguida confiou o filho, com menos de doze meses, a uma vizinha. Cerca das 18h00, quando Lucinete se preparava para regressar a casa após o expediente, a agressora interceptou-a e obrigou-a a entrar no porta-bagagens de um veículo de aluguer, onde transportava uma faca de cozinha. Conduziu a vítima até um local despovoado. Num confronto físico, Lucinete foi golpeada com o bloco de pedra.

O corpo só foi descoberto uma semana depois, a 12 de dezembro. A presumível autora do crime foi capturada dias mais tarde e permanece em custódia preventiva no estabelecimento prisional feminino de Tires.

Para além do homicídio qualificado, Ilderlane responde igualmente por posse de arma proibida, vilipêndio de cadáver e burla informática. O parquet requereu ainda o pagamento de compensação monetária aos sucessores legais da ofendida. Lucinete deixou um cônjuge e um adolescente de 14 anos, que ambicionavam juntar-se a ela em território nacional.

O causídico de defesa, Pedro Pestana, sustenta que o laudo psiquiátrico deveria ter sido considerado antes da formulação da acusação. Defende que os resultados comprovarão os efeitos de uma depressão pós-parto e de perturbações delirantes que, no seu entender, condicionaram o comportamento da ré.

Fonte: Correio da Manhã

Source: Correio da Manhã