Companheira de Sócrates silencia-se no tribunal da Operação Marquês

Lígia Correia, que vive com o antigo primeiro-ministro desde 2014, recusou prestar declarações no processo de corrupção, invocando o vínculo afetivo. O juiz marcou novo depoimento para 30 de junho.

Companheira de Sócrates silencia-se no tribunal da Operação Marquês

Companheira de Sócrates silencia-se no tribunal da Operação Marquês

O coletivo de juízes que preside ao julgamento da Operação Marquês viu uma das testemunhas desta quinta-feira negar-se a colaborar. Lígia Correia, que partilha vida com José Sócrates desde 2014, preferiu não responder às questões colocadas, fundamentando a recusa na relação que mantém com o ex-chefe de Governo. O tribunal adiou a audição para o dia 30 de junho, pelas 09h30.

No início da sessão, Lígia Correia afirmou não precisar de defensor. Contou que conhece o arguido desde 2011, com pausas, e que ambos residem juntos há mais de uma década. Momentos depois, perante perguntas concretas sobre o processo, optou pelo silêncio. Após uma interrupção, reconsiderou e pediu tempo para contratar um advogado.

Antes deste episódio, foi ouvida Célia Tavares, que confirmou ter tido um relacionamento com Sócrates entre 2012 e 2014. Esta testemunha declarou que João Perna, motorista do ex-governante e também arguido, lhe entregou pessoalmente, em várias ocasiões, envelopes contendo quantias entre 300 e 400 euros. Acresceu que recebeu ainda cerca de dois mil euros via transferência bancária. Segundo a sua versão, estes valores destinavam-se a cobrir despesas domésticas e propinas da faculdade, pois na altura estudava Direito. Célia Tavares referiu igualmente ter feito 17 viagens à capital francesa, onde visitou duas propriedades do antigo líder socialista.

José Sócrates é um dos 21 arguidos e enfrenta acusações de corrupção passiva, entre outras, por supostamente ter aceitado contrapartidas financeiras em troca de favorecimento ao grupo Lena, ao Grupo Espírito Santo e ao empreendimento de Vale do Lobo.

Fonte: Correio da Manhã

Source: Correio da Manhã