Inquérito ao acidente do Elevador da Glória deverá encerrar em março de 2027

O Ministério Público prevê concluir a investigação ao acidente do Elevador da Glória, que matou 16 pessoas, até ao final do primeiro trimestre de 2027.

Inquérito ao acidente do Elevador da Glória deverá encerrar em março de 2027

Investigação criminal ao Elevador da Glória aguarda perícias técnicas previstas para novembro

O Ministério Público estima concluir até ao final de março de 2027 o inquérito ao acidente do Elevador da Glória, em Lisboa, que provocou a morte de 16 pessoas a 3 de setembro de 2025. A conclusão dos ensaios e perícias técnicas está prevista para novembro deste ano, segundo informa rr.pt.

A Procuradoria-Geral da República divulgou uma nota na quarta-feira, véspera do primeiro aniversário do acidente, explicando que foram determinadas as perícias consideradas necessárias para esclarecer "os factos que estiveram na origem da ocorrência e bem assim eventuais responsabilidades criminais".

Investigação criminal independente, mas articulada com o GPIAAF

A investigação criminal decorre de forma independente da conduzida pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), embora existam, segundo o Ministério Público, "vários pontos de convergência" entre os dois processos.

As perícias foram realizadas em articulação com o GPIAAF, tendo em conta que alguns dos ensaios são "destrutivos e irrepetíveis", o que tornaria inviável a sua duplicação. Apesar de partilharem trabalhos técnicos, as duas investigações mantiveram objetivos distintos: a vertente criminal, no caso do Ministério Público, e a vertente técnica e de prevenção, no caso do GPIAAF.

Cabo de tração, travões e manutenção sob escrutínio

Os trabalhos técnicos incidiram sobre as características, a condição de funcionamento e o comportamento do cabo de tração e da sua fixação ao veículo, bem como sobre os sistemas de travagem e a dinâmica do seu funcionamento. Foram ainda analisadas as condições de aderência dos travões aos carris e às rodas, o sistema elétrico dos veículos e a sua relação com os sistemas de travagem e com o cabo de tração.

A investigação abrange igualmente a organização empresarial e os processos de manutenção e certificação em qualidade e segurança utilizados pela Carris. O Ministério Público sublinha a "elevada complexidade técnica" das perícias, que obrigou à fabricação e aquisição de estruturas e peças necessárias à obtenção de dados considerados fiáveis. A Carris, refere a nota, "colaborou ativamente nesse processo".

Novos ensaios surgiram à medida que a investigação avançou

À medida que os trabalhos progrediram, surgiram novas dúvidas e a necessidade de esclarecimentos adicionais, o que conduziu à realização de novos ensaios técnicos. O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) destacou o "elevado profissionalismo, empenho e dedicação de todos os peritos envolvidos".

A investigação prosseguiu durante o período de férias judiciais e aguarda agora a conclusão das perícias prevista para novembro. Após essa fase, o Ministério Público procederá a uma "análise minuciosa dos factos" e a uma "avaliação criteriosa sobre a suficiência de indícios", seguindo-se o eventual apuramento de responsabilidades criminais.

O despacho final do inquérito deverá ser conhecido até ao final de março de 2027, "salvo algum imponderável", segundo a nota da PGR.

Source: RTP

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