Grupo neonazi MAL planeou ataque com granada à casa de Montenegro entre mais de 120 alvos
O Ministério Público acusou nove membros do Movimento Armilar Lusitano de terrorismo. O grupo chegou a equacionar lançar uma granada para o apartamento do primeiro-ministro.

Movimento Armilar Lusitano acusado de planear atentado contra Montenegro e 120 figuras públicas
O Ministério Público acusou o líder e outros oito membros do Movimento Armilar Lusitano (MAL) da prática de crimes de terrorismo, segundo avança o zap.aeiou.pt. O grupo, classificado pelas autoridades como uma organização de extrema-direita e neonazi, terá planeado ações violentas contra mais de 120 governantes, políticos, jornalistas, artistas e ativistas em Portugal.
Entre os alvos identificados na acusação estão o primeiro-ministro Luís Montenegro, o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, o ex-Presidente Cavaco Silva, o ex-primeiro-ministro António Costa, Marques Mendes, Carlos Moedas, Rui Tavares, as deputadas Mariana e Joana Mortágua, bem como figuras da cultura e do humor como Ricardo Araújo Pereira, Nuno Markl e Clara Não.
Plano para atacar a residência do primeiro-ministro
Um dos episódios mais graves descritos na acusação diz respeito a um plano para atacar a habitação de Montenegro no início do ano passado. Os membros do grupo trocaram mensagens em que equacionaram lançar uma granada para o interior do apartamento, tendo descartado previamente a hipótese de sequestro. O ataque acabou por não se concretizar depois de os suspeitos descobrirem que Montenegro estava a residir num hotel.
O líder do MAL, identificado como Bruno G., exercia funções de chefia na PSP em comissão na Polícia Municipal de Lisboa. Segundo a acusação, chegou a consultar documentação sobre a vigilância policial efectuada à residência do primeiro-ministro.
Informações pessoais de 175 pessoas e 89 instituições recolhidas
A investigação foi conduzida pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária (PJ) e concluiu que o MAL desenvolveu durante vários anos actividades de vigilância, recrutamento e preparação logística. De acordo com a procuradora Cláudia Porto, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), o grupo reuniu informações pessoais e reservadas sobre pelo menos 175 pessoas e 89 instituições.
Os suspeitos defendiam a criação de "tribunais populares" para julgar e punir aqueles que consideravam inimigos dos interesses nacionais, e chegaram a discutir a utilização de violência física para intimidar ou extorquir alvos, procurando simultaneamente financiar a organização e promover mudanças políticas.
A acusação refere ainda planos para uma invasão ao Parlamento. Durante as buscas domiciliárias, a PJ apreendeu um computador que continha uma lista de deputados do PCP e de candidatos da CDU por Lisboa nas eleições de 2019.
Falta de recursos travou a concretização dos ataques
Apesar da extensão dos planos, as autoridades concluíram que a ausência de meios humanos, materiais e logísticos impediu a concretização efectiva dos ataques. O grupo terá ficado condicionado pela limitação de recursos ao longo de toda a sua actividade.
A investigação resultou na constituição de 11 arguidos. Quatro permanecem em prisão preventiva há cerca de um ano. Um quinto suspeito foi entretanto libertado após os tribunais considerarem reduzidas as necessidades cautelares. As autoridades identificaram ainda suspeitos que se encontram no estrangeiro.
O processo segue agora para a fase judicial, onde serão apreciadas as acusações formuladas pelo Ministério Público.
Source: Google News PT