Governante admite pagamentos em numerário a construtor que trabalhou para a Polícia Judiciária

Luís Neves entregou cinco mil euros em espécie a um empreiteiro que realizou obras numa propriedade sua no Alentejo. O mesmo empresário prestou serviços à PJ quando o ministro liderava aquela corporação.

Governante admite pagamentos em numerário a construtor que trabalhou para a Polícia Judiciária

Governante admite pagamentos em numerário a construtor que trabalhou para a Polícia Judiciária

O titular da pasta da Administração Interna confirmou ter entregue cinco mil euros em dinheiro vivo a um empresário da construção civil para efetuar remodelações numa habitação de campo que adquiriu no concelho de Odemira. O profissional em questão executou anteriormente diversos projetos para a Polícia Judiciária enquanto o atual governante ocupava o cargo máximo daquela força de segurança.

A notícia foi avançada pelo Nascer do Sol, tendo o ministro prestado esclarecimentos em entrevistas a várias estações de televisão e ao Observador. Neves referiu que foi disponibilizando quantias ao fim de semana ao empreiteiro, designando os montantes como cobertura de despesas menores e capital de rotatividade.

Questionado sobre a ausência de documentos que comprovem as transferências, o governante recusou-se a apresentar recibos ou extratos. No portal das Finanças, constam faturas no valor global de 27.483 euros associadas à sociedade unipessoal da cônjuge do ministro, valores estes que o responsável governativo atribuiu unicamente à aquisição de materiais de construção.

Neves sustenta que desconhecia o empreiteiro durante o período em que este foi adjudicado pela PJ, entre 2019 e 2023. Garante que os procedimentos de contratação pública foram sempre observados e que o empresário não beneficiou de qualquer tratamento privilegiado. Segundo o ministro, o relacionamento pessoal com o construtor apenas se desenvolveu posteriormente.

O empresário foi visado por um inquérito há cerca de oito anos, relacionado com suspeitas de adulteração de papelada e insolvência fraudulenta. O governante declarou não ter conhecimento destes factos, acrescentando que o antecedente criminal não foi detetado pelas verificações de segurança da Polícia Judiciária.

Neves assumiu que, na atual circunstância de membro do executivo, teria procedido de forma distinta, reconhecendo a necessidade de maior cautela nas relações com fornecedores que mantêm negócios com o Estado. O primeiro-ministro foi informado da situação, tendo o ministro relatado uma resposta focada no prosseguimento das funções governativas.

Fonte: Observador

Source: Google News PT