Operação "Mãos Livres" desmantela rede de tráfico humano luso-espanhola com cinco detidos

PJ e Guardia Civil detiveram cinco suspeitos em Portugal e Espanha por exploração laboral de dois homens durante décadas. Dois imóveis e saldos bancários foram apreendidos.

Operação "Mãos Livres" desmantela rede de tráfico humano luso-espanhola com cinco detidos

Rede familiar recrutava pessoas vulneráveis em Portugal para exploração agrícola em Espanha

A Polícia Judiciária (PJ) e a Guardia Civil espanhola desmantelaram uma rede familiar de tráfico humano dedicada à exploração laboral, com cinco detenções repartidas entre os dois países. Segundo o observador.pt, a operação, denominada "Mãos Livres", resultou ainda no resgate de dois homens que viviam sob domínio dos suspeitos há 30 e 15 anos, respetivamente.

As detenções ocorreram a 23 e 29 de junho. Três suspeitos foram detidos em Espanha, ao abrigo de mandados de detenção europeus emitidos pelo Tribunal de Coimbra em articulação com a EUROJUST, e dois foram detidos em Portugal. Os detidos em território espanhol têm entre 32 e 35 anos e foram presentes à Audiência Nacional, em Madrid, para efeitos de extradição para Portugal. Os dois detidos em Portugal, com 54 e 56 anos, aguardam ainda apresentação a tribunal para aplicação de medidas de coação — um deles regista antecedentes criminais por crimes da mesma natureza.

A operação foi conduzida em duas fases na zona de Burgos, em Espanha. A primeira fase decorreu em março de 2025, momento em que as duas vítimas foram libertadas. A PJ sublinhou, em comunicado divulgado esta segunda-feira, que a vítima mais velha "foi inclusivamente transacionada entre elementos do grupo, como se de uma mercadoria se tratasse".

O grupo atuava de forma concertada há vários anos: recrutava em Portugal pessoas fragilizadas, com carências económicas e em processos de exclusão social, e intermediava o fornecimento dessa mão-de-obra a empregadores espanhóis para trabalho agrícola pouco qualificado. As vítimas eram mantidas "sob constante coação", em "deploráveis condições de habitabilidade e alimentação", enquanto os suspeitos ficavam na posse da quase totalidade dos salários auferidos.

Para dificultar a deteção pelas autoridades, a rede inscrevia as vítimas nos serviços de segurança social espanhóis, elaborava contratos de trabalho em seu nome, abria contas bancárias e registava viaturas em nome das próprias vítimas. Este esquema permitia ainda aos exploradores aceder a prestações sociais além dos salários.

Nas diligências realizadas em Espanha, acompanhadas por elementos da PJ, foram recolhidos elementos de prova adicionais, incluindo documentação diversa. Foram também apreendidos saldos bancários e dois imóveis.

Source: Google News PT — Crime (pt)