Banco de Portugal estima que confirmação de destinatário evitou 6,5 milhões em fraudes

Desde maio de 2024, os serviços de confirmação de beneficiário travaram 6,5 milhões de euros em fraudes bancárias, segundo o Banco de Portugal.

Banco de Portugal estima que confirmação de destinatário evitou 6,5 milhões em fraudes

Mecanismos anti-fraude do BdP travam 6,5 milhões de euros em dois anos

Os serviços de confirmação de destinatário de transferências bancárias evitaram 6,5 milhões de euros em fraudes desde maio de 2024, de acordo com uma estimativa divulgada pelo Banco de Portugal. Segundo a RTP, o dado foi apresentado pelo governador do banco central, Álvaro Santos Pereira, numa conferência realizada hoje em Lisboa.

Santos Pereira falava na abertura do encontro "Fraude Digital: detetar, responder e prevenir", que decorreu no Museu do Dinheiro. Os 6,5 milhões dizem respeito aos dois anos de funcionamento das três funcionalidades lançadas pela instituição: a confirmação do beneficiário, o sistema SPIN e o serviço de verificação do beneficiário.

As três funcionalidades

A primeira funcionalidade foi disponibilizada em maio de 2024 e permite que o cliente veja o nome do destinatário no momento em que insere o IBAN, antes de autorizar a transferência. Em junho do mesmo ano foi lançado o SPIN, que facilita a iniciação de transferências através do número de telemóvel ou do NIF. O serviço de verificação do beneficiário foi acrescentado em outubro de 2025.

As três ferramentas são disponibilizadas pelo banco central aos bancos e demais prestadores de serviços de pagamento, que as colocam depois à disposição dos clientes.

Fraudes com manipulação do ordenante caem 21%

Santos Pereira destacou que as fraudes em que os burlões manipulam os ordenantes das transferências caíram 21% nos primeiros cinco meses de 2025, em comparação com o período homólogo de 2024, altura em que a confirmação do beneficiário ainda não existia.

O impacto é ainda mais visível numa perspetiva mais longa: as fraudes por manipulação do ordenante — como as mensagens do tipo "Olá, pai" ou "Olá, mãe" — representavam 60% das transferências fraudulentas em 2023. Em 2025, esse rácio desceu para 16%.

"Desde a sua disponibilização, o peso da manipulação do ordenante na fraude com transferências tem vindo a diminuir de forma expressiva", afirmou o governador, sublinhando que Portugal apresenta uma "trajetória de descida" nas fraudes, em sentido contrário à tendência observada na União Europeia.

Números globais de fraude em Portugal

Santos Pereira apresentou ainda dados mais abrangentes sobre o panorama da fraude no país. No primeiro semestre de 2025, registaram-se quatro débitos diretos fraudulentos por cada milhão de operações, dez transferências fraudulentas por cada milhão e 66 ocorrências por cada milhão de operações com cartão.

"Entre o primeiro semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025, registou-se uma diminuição da fraude nas transferências e nos cartões", acrescentou, considerando que esta evolução "resulta de um esforço continuado do BdP, dos demais supervisores financeiros, das instituições financeiras e das autoridades públicas".

Spoofing permanece fora do alcance dos mecanismos

O governador alertou que os mecanismos de confirmação não são eficazes quando os cidadãos são contactados por telefone por alguém que falsifica um número de origem — a técnica conhecida por `spoofing` —, fazendo parecer que a chamada provém de um número oficial.

Santos Pereira defendeu a necessidade de Portugal legislar sobre o combate ao `spoofing`, lembrando que o país é o único da União Europeia que ainda não o fez.

Nova plataforma de acompanhamento da fraude digital

Na mesma conferência, o governador anunciou o lançamento de uma plataforma de acompanhamento da fraude digital em Portugal. A iniciativa reúne operadores de pagamentos, das comunicações, da investigação criminal e da justiça, com o objetivo de coordenar a resposta ao fenómeno a nível nacional.

Source: RTP