Chefe da Marinha multado em 816 euros por falha na notificação de testemunhas no caso NRP Mondego

O Tribunal Central Criminal de Lisboa condenou o almirante Nobre de Sousa a uma multa de 816 euros por comprometer o julgamento de três militares acusados de violação de segredo de Estado.

Chefe da Marinha multado em 816 euros por falha na notificação de testemunhas no caso NRP Mondego

Almirante Nobre de Sousa multado por obstruir julgamento do NRP Mondego

O Tribunal Central Criminal de Lisboa condenou o Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), almirante Nobre de Sousa, a uma multa de 816 euros por comprometer os trabalhos do julgamento de três militares acusados de violação de segredo de Estado. Segundo o observador.pt, o tribunal considerou que o almirante não notificou em tempo útil dois militares convocados como testemunhas, impedindo a realização da segunda sessão do julgamento, que ficou adiada sem data marcada.

No despacho a que a agência Lusa teve acesso, o tribunal declarou que "não estão tais testemunhas, uma vez mais, notificadas e que não comparecerão neste tribunal". O Tribunal Central Criminal qualificou a conduta da Marinha como algo que "compromete gravemente o regular funcionamento do serviço deste tribunal" e "afeta de forma intensa a imagem de eficácia, prontidão e rigor que o cidadão espera de ambas as instituições" — tribunal e Forças Armadas.

O mesmo despacho acrescenta que a situação "configura uma tentativa de comprometimento do dever de acatamento das ordens judiciais e da autoridade dos tribunais", classificando-a ainda como "uma censurável e injustificada omissão do dever de colaboração com o tribunal e um entorpecimento igualmente intolerável da ação da justiça".

Marinha admite "falha interna"

Em resposta enviada à agência Lusa, a Marinha reconheceu a existência de um problema. "Da averiguação interna preliminar efetuada, confirma-se uma falha interna no procedimento de notificação dos militares", indicou o ramo. A instituição acrescentou que essa falha "é inteiramente assumida pelo Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, enquanto Comandante da Marinha, mas não configura qualquer desrespeito relativamente ao Tribunal".

Defesa pede detenção das testemunhas

Os advogados de defesa dos três militares, Paulo Graça e António Garcia Pereira, anunciaram à Lusa que irão requerer que a multa seja paga pelo próprio Chefe da Marinha e não pela instituição. Além disso, pretendem pedir "a detenção das duas testemunhas para serem conduzidas sob detenção a juiz na nova data que vier a ser designada".

Esta é já a segunda alteração da segunda sessão do julgamento. A sessão estava inicialmente marcada para 6 de maio, mas foi adiada porque uma das testemunhas se encontrava em missão. Já nessa altura, o Tribunal de Lisboa apontou para falta de colaboração por parte da Marinha.

O caso NRP Mondego

A 11 de março de 2023, o NRP Mondego falhou uma missão de acompanhamento de um navio russo a norte da ilha de Porto Santo, na Madeira, depois de quatro sargentos e nove praças se terem recusado a embarcar, invocando razões de segurança.

O incidente deu origem a dois processos judiciais: um envolvendo três militares por violação de segredo de Estado — cujo julgamento já se encontra em curso — e outro envolvendo os 13 militares por insubordinação, ainda em fase de instrução. Foram igualmente instaurados processos disciplinares, recentemente reabertos pela Marinha após o Supremo Tribunal Administrativo ter considerado ilícitas as sanções anteriormente aplicadas.

Source: Google News PT — Crime (pt)