Bélgica lança operação conjunta de militares e polícia em Bruxelas para travar tiroteios
O ministro da Defesa belga anunciou a primeira operação conjunta entre forças armadas e polícia em Bruxelas, onde 65 tiroteios foram registados desde o início do ano.

Militares nas ruas de Bruxelas após escalada de violência ligada ao narcotráfico
A Bélgica mobilizou as suas Forças Armadas para atuar ao lado da polícia federal nas ruas de Bruxelas, numa resposta à onda de violência relacionada com o tráfico de droga que assola a capital. Segundo a RTP, o ministro da Defesa, Theo Francken, anunciou esta quinta-feira a primeira operação conjunta do género, com o objetivo de combater "distúrbios, crimes e tráfico de droga".
"Não podemos continuar a deixar as nossas ruas e estações nas mãos de traficantes e criminosos. Os problemas específicos de segurança em Bruxelas têm sido ignorados durante demasiado tempo", afirmou Francken numa mensagem publicada nas redes sociais, argumentando que as autoridades precisam de "retomar o controlo" das ruas e estações da cidade.
A decisão surge após seis tiroteios registados na última semana, nos bairros de Anderlecht, Saint-Gilles e Molenbeek. Com estes incidentes, o total de tiroteios na região desde o início do ano ascende a 65 — o mesmo número verificado em todo o ano anterior. Desde 2025, foram contabilizados 170 tiroteios em Bruxelas, dos quais 69 apenas no ano em curso, na esmagadora maioria associados ao narcotráfico.
O procurador de Bruxelas manifestou igualmente preocupação com a escalada de criminalidade e pediu um reforço de meios, advertindo que, atualmente, "qualquer pessoa pode ser alvejada" no fogo cruzado entre grupos rivais. Na maioria dos incidentes, trata-se de acertos de contas entre duas fações criminosas. "Manifestamente, houve um desentendimento entre eles e, por isso, assiste-se a uma dinâmica de retaliações", explicou o magistrado, acrescentando que a situação não deverá cessar enquanto os líderes das redes, muitos dos quais se encontram no estrangeiro, não forem detidos.
O procurador denunciou ainda que alguns chefes de grupos criminosos, apesar de presos, continuam a ordenar tiroteios a partir das suas celas. Por essa razão, apelou às autoridades para que equipe as prisões com inibidores de telemóveis, de forma a travar a continuação destas atividades dentro dos estabelecimentos prisionais.
Source: RTP