Chico Lucas defende tecnologia e integração contra crime organizado no Brasil
O secretário nacional de Segurança Pública propôs compartilhamento de dados e operações coordenadas entre União, estados e municípios. Ficcos prenderam 137 pessoas em 20 estados na quarta-feira.

Secretário nacional aposta em dados e operações integradas para combater facções
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, defendeu na sexta-feira (18) uma atuação menos fragmentada entre as forças de segurança do país como estratégia central contra o crime organizado. A declaração foi feita durante agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio de Janeiro, dedicada à apresentação de ações conjuntas na área, conforme relata piauihoje.com.
Para Lucas, o combate às organizações criminosas depende do compartilhamento de informações, do uso de inteligência e tecnologia e da coordenação entre diferentes instituições policiais — federais, estaduais e municipais.
Ficcos atuam em 20 estados em dois dias
A discussão ocorre em meio à ampliação das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos). Na quarta-feira (16), as Ficcos realizaram uma ação simultânea em 20 estados que resultou em 137 prisões, cumprimento de 173 mandados de busca e apreensão e apreensão de cerca de R$ 510 milhões em valores e bens, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
As Ficcos reúnem diferentes forças de segurança em operações voltadas principalmente ao enfrentamento de organizações criminosas, tráfico de drogas e armas e lavagem de dinheiro. Segundo Lucas, o trabalho conjunto amplia a capacidade de investigação e de identificação das estruturas utilizadas pelas facções.
Banco de celulares roubados integra sistema nacional
A integração defendida pelo secretário passa também pelo cruzamento de bancos de dados e pelo uso de ferramentas tecnológicas. Um dos exemplos é o Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), criado por decreto em junho deste ano.
A base reúne informações sobre aparelhos roubados ou furtados e foi integrada ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O banco é administrado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública e tem entre suas finalidades apoiar a prevenção, investigação e repressão de crimes ligados ao roubo, furto, receptação e comercialização ilegal de celulares. A ferramenta integra o programa federal Celular Seguro.
Rio de Janeiro no centro da estratégia
No Rio de Janeiro, a estratégia prevê ações conjuntas em áreas consideradas estratégicas, como a Avenida Brasil, a Linha Vermelha, a Linha Amarela e os acessos ao Porto do Rio e ao Aeroporto Internacional Tom Jobim.
Entre os recursos previstos estão compartilhamento de inteligência, análise patrimonial, cercamento eletrônico, leitores automáticos de placas, drones e centros integrados de comando e controle.
Trajetória no Piauí como modelo nacional
Antes de assumir a Secretaria Nacional, Chico Lucas comandou a Secretaria da Segurança Pública do Piauí, onde ficou associado à adoção de tecnologia, análise de dados e integração entre forças policiais. Essa experiência passou a compor o discurso do secretário ao tratar de estratégias nacionais de enfrentamento à criminalidade.
PEC da Segurança Pública e o SUSP
A proposta do secretário está relacionada ao fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), que estabelece mecanismos de cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios. Durante a agenda no Rio, Lula voltou a defender a PEC da Segurança Pública, que trata da organização das competências dos diferentes níveis de governo e da ampliação da cooperação na área.
A estratégia federal posiciona o compartilhamento de informações e a atuação coordenada como ferramentas para investigar organizações criminosas, atingir estruturas financeiras e ampliar a capacidade de prevenção e repressão. O objetivo declarado é incorporar operações conjuntas e o uso integrado de dados à rotina das forças de segurança em diferentes regiões do país, deixando de depender de iniciativas pontuais.
Source: Google News BR — Crime