Flávio Bolsonaro fez safari na África do Sul com investigados de fraude no INSS

Revista Piauí revela que Flávio Bolsonaro viajou com o senador Weverton Rocha e o advogado Willer Tomaz, ambos sob investigação na Operação Sem Desconto.

Flávio Bolsonaro fez safari na África do Sul com investigados de fraude no INSS

Safari na África do Sul aproxima Flávio de investigados no esquema do INSS

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, realizou um safari na África do Sul em março de 2025 ao lado do senador Weverton Rocha (PDT-MA), do advogado Willer Tomaz e do empresário Carlos Alberto de Sá. Conforme relata operamundi.uol.com.br, a informação é da revista Piauí, que recuperou, no sábado (19/07), uma fotografia da viagem enviada a um grupo de WhatsApp em 10 de março de 2025.

A imagem chegou à Polícia Federal (PF) após a apreensão do celular de Rocha no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O escândalo veio a público cerca de um mês depois da viagem.

Carlos Alberto de Sá e a CPI da Covid

A reportagem identifica na fotografia, divulgada na sexta-feira pelo O Globo, Carlos Alberto de Sá, sócio da VTCLog e fundador do Grupo Voetur. Em 2021, a CPI da Covid pediu o indiciamento do empresário por corrupção ativa e improbidade administrativa.

O relatório final da CPI apontou indícios de superfaturamento de R$ 17 milhões em contrato da VTCLog com o Ministério da Saúde, durante o governo Bolsonaro, para armazenamento e distribuição de insumos, incluindo vacinas. O documento também registrou movimentações de R$ 4,7 milhões em dinheiro vivo, realizadas desde 2018 por um funcionário da empresa — parte desses valores teria sido usada para pagar despesas pessoais do então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias.

A CPI mencionou ainda que a VTCLog venceu uma licitação do Ministério da Saúde com descontos expressivos, mas posteriormente solicitou aditivos ao contrato, prática que poderia ser classificada como "jogo de planilha". Apesar dos pedidos de indiciamento, as suspeitas não resultaram em responsabilização criminal de Sá.

Willer Tomaz e o apartamento não declarado

Tomaz também esteve na mira da CPI da Covid, que chegou a discutir a quebra de seu sigilo bancário para investigar suposta participação nas negociações envolvendo a vacina Covaxin. A medida não avançou.

Na semana anterior à publicação da Piauí, a revista havia revelado que Flávio utilizou um apartamento do advogado na Vila Nova Conceição, zona sul de São Paulo, durante a campanha eleitoral. O imóvel não foi declarado como doação à campanha e pertencia anteriormente a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcardo, apontado pela PF como um dos principais operadores do esquema.

Willer sustenta que não é investigado por fraudes contra o sistema previdenciário. Segundo relatório da PF, que realizou buscas e apreensões em seu escritório, ele atuava como "hub financeiro, patrimonial e logístico" no esquema, por meio de "empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos". Empresas de Willer teriam destinado mais de R$ 11 milhões à conta bancária da mulher de Rocha.

Rocha no centro da investigação

O senador Weverton Rocha é apontado pela PF como "liderança e sustentáculo" das atividades do grupo investigado nas fraudes do INSS. Seu nome também foi incluído em investigação do Ministério Público Federal sobre repasses do orçamento secreto para a área da Saúde no Maranhão. Como detém foro privilegiado, o caso tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Source: Google News BR — Crime

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