Criminalidade sobe 2,9% em Lisboa por maior atividade policial, diz PSP

A PSP atribui o aumento de crimes como tráfico de droga e carteirismo ao reforço da presença policial nas ruas de Lisboa. Roubos na via pública descem, mas extorsões e raptos sobem.

Criminalidade sobe 2,9% em Lisboa por maior atividade policial, diz PSP

Mais detenções e patrulhamento explicam subida da criminalidade geral no Cometlis

A subida de 2,9% da criminalidade geral na grande Lisboa nos primeiros oito meses do ano face a igual período de 2024 é explicada, em grande parte, pelo reforço da presença policial nas ruas — e não por um agravamento efetivo da violência. A conclusão é da própria PSP, avançada em entrevista à agência Lusa pelo comandante do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis), o superintendente-chefe Luís Elias.

Segundo a RTP, Elias sublinhou que crimes como o tráfico de estupefacientes, a condução ilegal, a condução em estado de embriaguez, a resistência e coação a funcionário e a desobediência registaram subidas nos primeiros oito meses do ano — mas são, na sua maioria, o que classificou como "crimes de proatividade policial": ocorrências que só emergem nas estatísticas por via da intervenção direta das autoridades.

"Só aparecem nas estatísticas fruto da atividade policial", disse Elias, acrescentando que a proatividade policial tem "um fator alavanque também na criminalidade geral".

No mesmo período, a PSP realizou mais 500 detenções em comparação com os primeiros oito meses do ano anterior.

Criminalidade violenta e grave desce — com exceções

Em sentido inverso, a criminalidade violenta e grave recuou 0,4% na área do Cometlis. Luís Elias associou essa descida à redução dos roubos na via pública e dos roubos por esticão, que definiu como "prioridade" no âmbito da sua estratégia como comandante metropolitano.

"São aqueles que têm maior expressão estatística e são aqueles que eu defini como uma prioridade no que respeita à instituição criminal e também à deteção em flagrante delito", afirmou.

Ainda assim, dentro da criminalidade violenta e grave, as extorsões e os raptos registaram uma tendência de subida, sem que o responsável tenha avançado números concretos sobre estas categorias.

Carteirismo transnacional preocupa autoridades

O furto por carteiristas, que não integra a categoria de criminalidade violenta e grave, mas que a PSP acompanha com atenção especial, sofreu uma transformação significativa nos últimos anos. De acordo com Elias, o fenómeno deixou de estar associado a carteiristas portugueses de longa data para passar a ser dominado por grupos internacionais itinerantes.

"Nos últimos anos o furto por carteiristas está claramente associado à criminalidade transnacional, à criminalidade itinerante, a grupos internacionais que se deslocam a Portugal só com este objetivo", explicou o comandante.

A PSP tem identificado grupos que permanecem em Portugal durante alguns dias ou semanas antes de regressarem a outros países. Estes grupos, segundo Elias, circulam por várias cidades europeias — incluindo em Espanha, França e Itália — e os seus membros acumulam antecedentes criminais em múltiplos países.

O crescimento do turismo em Lisboa é apontado como fator agravante: "O turismo tem muitos fatores positivos, nomeadamente como alavanca para o desenvolvimento da nossa economia, mas também tem este fator de atrair determinado tipo de fenómenos criminais que têm a sua atividade em cidades e em locais de grande concentração de pessoas, nomeadamente turistas."

"Gangue do Rolex" e risco de imitação nacional

Luís Elias referiu ainda uma outra dimensão de preocupação: os roubos organizados por grupos internacionais, com destaque para o chamado "gangue do Rolex" — um grupo criminoso originário da América do Sul responsável por assaltos violentos nas ruas de Lisboa a condutores de veículos de topo de gama e a pessoas com sinais exteriores de riqueza. A investigação desse caso está a cargo da Polícia Judiciária.

O responsável manifestou preocupação com o possível aparecimento de grupos de base nacional que tentem replicar esse modus operandi, alertando para que tal pudesse acontecer "com resultados desastrosos".

O Cometlis tem jurisdição sobre nove municípios da Área Metropolitana de Lisboa: Amadora, Cascais, Lisboa, Loures, Odivelas, Oeiras, Sintra, Vila Franca de Xira e Torres Vedras.

Source: RTP

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