Ministra da Justiça mantém confiança em Carlos Cabreiro após queixa na PGR sobre Football Leaks
A PGR confirmou ter recebido uma denúncia contra o diretor da PJ por alegado falso testemunho sobre escutas no processo Football Leaks.

Denúncia contra diretor da PJ remetida ao DIAP de Lisboa
A Procuradoria-Geral da República confirmou esta quinta-feira ter recebido uma denúncia contra o diretor da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, relacionada com escutas realizadas no âmbito do processo Football Leaks. A PGR informou a agência Lusa que a denúncia "foi remetida ao DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Lisboa".
Segundo o Correio da Manhã, a queixa, avançada pelo canal NOW e pelo jornal Expresso, alega que foram realizadas escutas sem autorização judicial — e que Cabreiro terá afirmado em tribunal, durante o julgamento do processo, que não foram feitas escutas no terreno.
Ministra reitera apoio ao diretor nacional
Questionado pela Lusa sobre se a situação comprometia a confiança do Governo em Cabreiro, o gabinete da ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, respondeu que "a Ministra da Justiça não tem comentários a fazer, reiterando apenas que mantém a confiança no Diretor Nacional da Polícia Judiciária".
A ministra não se pronunciou sobre a eventual manutenção de Cabreiro no cargo.
Gravações de 2015 no centro da queixa
De acordo com a denúncia enviada à PGR, estão em causa gravações realizadas pela PJ em 2015 e autorizadas por Carlos Cabreiro. As escutas terão ocorrido no dia em que Aníbal Pinto — arguido e condenado no processo Football Leaks, que naquela altura representava Rui Pinto — se encontrou com Nélio Lucas, dono da Doyen, e com o advogado Pedro Henriques, numa área de serviço em Oeiras.
Esse encontro é apontado como um dos momentos decisivos do processo, uma vez que terá permitido à PJ chegar à identificação de Rui Pinto.
Rui Pinto condenado em setembro de 2023
O processo Football Leaks foi julgado em 2023 e envolveu casos de acesso indevido e violação de correspondência de várias entidades: o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol e a própria PGR.
Rui Pinto foi condenado a quatro anos de prisão, com pena suspensa, em setembro de 2023, por um crime de extorsão na forma tentada, três crimes de violação de correspondência agravado e cinco crimes de acesso ilegítimo. Aníbal Pinto foi igualmente condenado no mesmo processo.
Source: Correio da Manhã