Tráfico de cocaína é "primeira ameaça" à segurança interna, diz ministro Luís Neves

O ministro da Administração Interna alertou no parlamento que Portugal é porta de entrada estratégica de cocaína para a Europa. A criminalidade geral subiu 3,1% em 2025.

Tráfico de cocaína é "primeira ameaça" à segurança interna, diz ministro Luís Neves

Portugal usado como porta de entrada da cocaína para a Europa, alerta ministro

O tráfico de droga é a maior ameaça à segurança interna de Portugal. A afirmação é do ministro da Administração Interna, Luís Neves, no debate parlamentar sobre o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2025, conforme reporta a CNN Portugal.

"O tráfico de estupefacientes é hoje a primeira ameaça à segurança interna em Portugal", declarou Neves, sublinhando que organizações criminosas transnacionais utilizam o país como "porta de entrada estratégica da cocaína para a Europa" — padrão partilhado por outros países europeus.

O ministro identificou o fator determinante por detrás da pressão crescente: "A novidade é o grande aumento de produção de cocaína que os narcotraficantes querem escoar porque o lucro na Europa é muito maior." Além do impacto direto, Neves alertou que os crimes ligados à droga têm um "impacto social tremendo na vida das comunidades", na medida em que alimentam furtos, roubos, ameaças, agressões e outros crimes associados ao consumo e à disputa de pontos de venda.

O consumo à vista pública degrada o espaço urbano, afeta a atividade económica e contribui de forma significativa para o sentimento de insegurança nas cidades, acrescentou o governante. Em resposta, a PSP e a GNR vão reforçar a visibilidade e as operações policiais nas zonas mais afetadas, com destaque para Lisboa e Porto.

Criminalidade geral sobe 3,1%, mas ministro rejeita alarme

Os dados do RASI de 2025 registam um aumento de 3,1% na criminalidade geral. Luís Neves rejeitou, porém, uma leitura direta desse crescimento como sinal de maior perigo: "Não estamos apenas a falar de mais crimes, estamos a falar de mais ação do Estado, maior proatividade policial. Número bruto não é o mesmo do que perigo real."

O RASI é coordenado pelo Sistema de Segurança Interna com base em informação fornecida por cerca de 25 entidades, incluindo todas as forças e serviços de segurança do país.

Crimes de violação atingem valor mais elevado da década

Neves sinalizou ainda que os dados sobre crimes de violação em 2025 merecem "particular seriedade", por terem atingido o valor mais elevado em dez anos. "Assumimos como prioridade a formação especializada das forças de segurança e articulação com a Justiça para reduzir os tempos de resposta a essas vítimas", afirmou.

O ministro anunciou ainda a realização de um inquérito nacional de vitimização, articulado com o Sistema de Segurança Interna. As forças de segurança já recolhem dados sobre detidos estrangeiros — residentes e não residentes —, que poderão constar do relatório do próximo ano.

Salientando que assume os números do RASI "sem os maquilhar", Neves reiterou que Portugal é reconhecido internacionalmente como um país seguro — uma "vantagem estratégica a preservar" — mas advertiu que essa condição exige vigilância permanente e resposta contínua às novas ameaças.

Source: CNN Portugal

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