Treze detidos com combustível para narcolanchas libertados por falta de procuradores no Algarve

Treze homens foram detidos em Tavira com 200 jerricans e um bote, mas o MP ordenou a sua libertação por ausência de magistrados durante as férias judiciais.

Treze detidos com combustível para narcolanchas libertados por falta de procuradores no Algarve

Férias judiciais deixam Sotavento Algarvio sem meios para tratar detenção de suspeitos de narcotráfico

O Correio da Manhã reporta que, na madrugada de segunda-feira, militares da GNR de Vila Real de Santo António intercetaram duas carrinhas em Tavira, no Algarve, que transportavam 200 jerricans com cerca de cinco mil litros de combustível e um bote de borracha com motor. Os treze homens abordados — de nacionalidade espanhola, marroquina e romena — foram detidos. Não foi encontrada droga, mas as autoridades suspeitam que o material se destinava a abastecer narcolanchas ao longo da costa algarvia.

Apesar de horas passadas nas instalações policiais, o grupo nunca chegou a ser presente a juiz de instrução criminal. O Ministério Público ordenou a libertação imediata dos detidos por não haver um procurador disponível no tribunal. A decisão foi formalizada por despacho, e os suspeitos terão de regressar a tribunal no dia 18 de setembro.

Procurador justifica ausência com sobrecarga durante as férias

A justificação consta do próprio despacho. O magistrado responsável explicou que "encontramo-nos em plena época de férias judiciais em que apenas dois magistrados do Ministério Público asseguram todo o serviço urgente do Sotavento Algarvio, numa área territorial vastíssima — violências domésticas, interrogatórios, escutas, presos, processos que não podem de forma alguma aguardar". O procurador acrescentou: "O ideal seria que eu conseguisse efetuar todo o serviço sem exceções, mas infelizmente não é possível." E concluiu referindo que, à data, "apenas um único funcionário encontra-se ao serviço nos serviços do MP de Tavira".

Advogado defende libertação como "totalmente justificada"

Pedro Pestana, advogado que representa os treze suspeitos, considera que a libertação é "totalmente justificada". Em declarações ao Correio da Manhã, Pestana sublinhou que "ainda que as autoridades presumam que essa apreensão esteja relacionada com o tráfico, a verdade é que não passa de uma mera suspeita. A singela suspeita, desacompanhada de evidências e de provas, não é suficiente para fundamentar sequer uma ordem de detenção".

Operação integrada numa semana de apreensões no Algarve

A detenção em Tavira foi conduzida pela Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF) da GNR — a mesma unidade que, no fim de semana anterior, apreendeu cinco toneladas de haxixe nos concelhos de Vila Real de Santo António e Castro Marim e deteve sete homens de nacionalidade marroquina. Nesse caso, todos os suspeitos foram presentes a juiz e ficaram sujeitos à medida de coação mais gravosa: a prisão preventiva. O contraste com o desfecho do caso de Tavira evidencia as limitações operacionais do sistema judicial durante o período de férias.

Source: Correio da Manhã

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