Tribunal de Leiria condena seis por tráfico de cocaína escondida em lulas congeladas
Seis arguidos receberam penas até nove anos de prisão por tráfico de droga agravado. A cocaína, avaliada em 34,5 milhões de euros, vinha do Equador camuflada em lulas congeladas.

Seis condenados em Leiria por rede que importava cocaína do Equador em lulas congeladas
O Tribunal Judicial de Leiria condenou, esta terça-feira, seis de nove arguidos a penas de prisão efectivas até nove anos pelo crime de tráfico de droga agravado, conforme o Google News PT — Crime (pt) reporta com base em informação da agência Lusa.
Dois dos condenados receberam a pena máxima de nove anos de prisão. Um deles acumulou juridicamente uma pena de oito anos e seis meses por tráfico de droga agravado com dois anos por detenção de arma e munições proibidas. Os restantes quatro arguidos foram condenados a oito anos de prisão, igualmente por tráfico de droga agravado.
Uma sociedade comercial de Torres Vedras, no distrito de Lisboa, foi também condenada pelo mesmo crime, sendo-lhe aplicada uma pena de multa de 750 dias a uma taxa diária de 250 euros — num total de 187.500 euros. Os três arguidos restantes foram absolvidos: o juiz presidente justificou que "não se provou que tivessem conhecimento da carga".
Os crimes de associação criminosa e de falsificação de documentos não ficaram provados.
Cocaína dissimulada em paletes de lulas, avaliada em 34,5 milhões de euros
No total, nove homens com idades entre os 26 e os 63 anos e uma sociedade comercial foram julgados em Leiria. Segundo os despachos de acusação e de pronúncia consultados pela Lusa, aos arguidos foi imputada a prática, em coautoria, dos crimes de tráfico e outras actividades ilícitas agravado e de associação criminosa. Dois deles respondiam ainda por detenção de arma e munições proibidas; um outro, adicionalmente, por falsificação de documento autêntico.
O Ministério Público descreveu que o grupo decidiu, pelo menos desde Fevereiro de 2024, dedicar-se à compra e introdução de cocaína em Portugal. A droga era transportada por via marítima em contentores provenientes da América do Sul — mais concretamente do Equador — dissimulada em paletes com caixas de peixe congelado, nomeadamente lulas. Após entrar em Portugal pelo Porto de Lisboa, os carregamentos tinham como destino o armazém de uma empresa em Óbidos, no distrito de Leiria.
Pelo menos sete dos suspeitos encarregavam-se da retirada da cocaína das paletes e da sua posterior distribuição pelo país e pela Europa, em concreto para os Países Baixos e com ligação à Turquia, de acordo com a acusação do MP.
A sociedade de Torres Vedras, segundo o MP, alargou o seu Código de Actividade Económica à comercialização de carne e peixes precisamente para viabilizar a importação da droga camuflada nas lulas congeladas.
Mais de 1.100 quilogramas apreendidos pela Polícia Judiciária
A rede foi desmantelada em Fevereiro de 2024, quando elementos do grupo foram intercetados pela Polícia Judiciária no armazém em Óbidos. O exame pericial à cocaína apreendida determinou um peso líquido de aproximadamente 1.144 quilogramas, com um valor estimado de 34,5 milhões de euros. O MP sublinhou que, "sem contar com possíveis cortes do produto, o valor duplicaria ou triplicaria".
Na leitura do acórdão, o juiz presidente afirmou que a maioria dos factos de que os seis arguidos estavam acusados "ficaram provados". Dado tratar-se de um processo de especial complexidade, foi aprovado um prazo adicional de 30 dias para a apresentação de recursos.
Source: Google News PT — Crime (pt)