Tribunal rejeitou bens de Xuxas para uso da PJ ordenado por Luís Neves

Um despacho de 2022 do Tribunal Central de Investigação Criminal de Lisboa negou o uso operacional de dezenas de bens do traficante Rúben Oliveira pela PJ.

Tribunal rejeitou bens de Xuxas para uso da PJ ordenado por Luís Neves

Despacho judicial de 2022 contraria decisão de Neves sobre bens apreendidos a Xuxas

Um despacho do Tribunal Central de Investigação Criminal de Lisboa, datado de 2022, terá rejeitado a decisão de Luís Neves — então diretor da Polícia Judiciária (PJ) — de afectar ao uso operacional dezenas de bens apreendidos ao traficante de droga Rúben Oliveira, conhecido por Xuxas. A informação foi avançada esta sexta-feira pela TVI/CNN Portugal e pelo semanário Nascer do Sol, e é reportada por rr.pt.

Os bens em causa, retirados da residência de Rúben Oliveira, somam quase três dezenas de artigos. Entre eles contam-se televisores com valor unitário a rondar os 17 mil euros, equipamentos de ginásio, sofás e cadeiras. Oliveira foi condenado a 20 anos de prisão em primeira instância por tráfico de droga e aguarda o resultado do recurso.

Em reacção às notícias, a PJ afirmou não poder confirmar se foi ou não notificada do despacho judicial, invocando a falta de acesso ao processo desde o encerramento das investigações. "Por já não termos acessos ao processo, desde a altura em que foram finalizadas as investigações por parte da PJ, não nos é possível responder com objetividade a esta questão, neste momento", lê-se na nota da corporação. A Judiciária acrescentou que os bens continuam a ser utilizados "em várias unidades desta polícia".

Luís Neves será ouvido na terça-feira, às 10h00, na Comissão de Assuntos Constitucionais, antes da discussão da moção de censura agendada para as 15h00.

Pressão acumulada sobre o ministro e a PJ

O actual ministro da Administração Interna enfrenta contestação há quase dois meses, desde que o Nascer do Sol noticiou suspeitas de irregularidades em obras numa propriedade sua em Odemira. Em causa está a construção de uma piscina executada por um empreiteiro seu conhecido, João Carvalho, dono da Construbarcelos, empresa que por 17 vezes ganhou contratos de obras para a PJ.

A polémica alargou-se com a revelação de que o mesmo empreiteiro ficou à guarda de um atrelado apreendido pela PJ na "Operação Pacoba", uma investigação ao tráfico de droga, contendo bidões com químicos no interior. Neves justificou que a destruição desses produtos não foi concretizada devido ao custo elevado e à ausência de verbas da PJ. O caso motivou a abertura de um inquérito pelo Ministério Público, o que excluiu a instauração de um processo de averiguações no âmbito das auditorias entretanto ordenadas pelo Ministério da Justiça.

Foram ainda levantadas dúvidas sobre o incumprimento da obrigação legal de entregar à Entidade para a Transparência e ao Tribunal Constitucional as declarações de património durante o período em que Neves liderou a PJ.

Mais recentemente, soube-se que o ministro conduz um automóvel judicialmente apreendido no mesmo processo que levou à condenação de Rúben Oliveira. Em declarações prestadas na Madeira, durante uma cerimónia da PSP, Neves defendeu que a utilização do veículo tem enquadramento legal.

Source: Google News PT — Crime (pt)

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