Júri condena Duane Davis pelo homicídio de Tupac Shakur 30 anos depois

Duane Davis, ex-membro dos South Side Compton Crips, foi considerado culpado de homicídio qualificado. A sentença será conhecida a 13 de outubro.

Júri condena Duane Davis pelo homicídio de Tupac Shakur 30 anos depois

Veredicto histórico no caso Tupac Shakur: Davis condenado pelo júri do Nevada

Trinta anos após a morte do rapper Tupac Shakur, um júri do Nevada considerou Duane Davis culpado do seu homicídio, segundo relata a CNN Portugal. Davis, antigo membro dos South Side Compton Crips — um gangue do bairro de Compton, em Los Angeles —, foi acusado de ter encomendado o assassinato e de ter fornecido a arma do crime.

Na segunda-feira, após deliberar durante apenas algumas horas, o júri declarou-o culpado de "homicídio qualificado com uso de arma letal". A sentença será conhecida a 13 de outubro. Ao dirigir-se à juíza Carli Kierny após o veredicto, Davis declarou em sala de audiências que tencionava recorrer da decisão.

Retaliação como motivo central da acusação

As alegações finais, da acusação e da defesa, duraram cerca de cinco horas. O procurador Binu Palal, em representação do Estado do Nevada, defendeu que o homicídio foi uma retaliação pela agressão ao sobrinho de Davis, Orlando Anderson, da qual Tupac Shakur tinha participado horas antes dos disparos.

"Duane Davis, na cultura dos gangues, não podia deixar isso passar", afirmou Palal, referindo-se à humilhação pública do sobrinho. "Ele arranjou a pistola, organizou o grupo e perseguiu Shakur", acrescentou, invocando as próprias declarações de Davis ao longo dos anos.

Davis é descrito reiteradamente como o "manda-chuva" do grupo, cujas ordens eram obedecidas pelos membros dos Crips. Enfrenta agora uma pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Memórias, confissões e imunidade parcial

Em 2008, Davis reconheceu perante investigadores que se encontrava no Cadillac branco de onde foram disparados os tiros. Porém, essas confissões foram feitas ao abrigo de um acordo de imunidade parcial, o que impediu a sua utilização direta no processo.

Em 2019, Davis publicou um livro de memórias no qual afirma ter estado no banco do passageiro e ter passado a pistola aos ocupantes do banco traseiro, sem revelar a identidade do atirador. A publicação conduziu à sua detenção em setembro de 2023.

"Durante quase 18 anos, Duane Davis disse à polícia, na televisão, em livros e a entrevistadores no YouTube, a quem quisesse ouvir, que era responsável pelo homicídio de Tupac Shakur. Digam-lhe que o ouviram a declarar-se culpado", afirmou Palal ao júri.

Defesa invoca ausência de provas materiais

O advogado de defesa, Michael Sanft, rejeitou essas declarações, classificando-as como "apenas palavras" e alegando que o cliente procurava promover as vendas do livro por interesse financeiro. "Estão a ler um livro que é ficção e não factos, mas a acusação quer fazer-vos acreditar que se trata, de alguma forma, de uma confissão de que ele estava lá no momento dos disparos", argumentou.

Sanft sublinhou também a inexistência de provas físicas: nem o Cadillac nem a arma do crime foram alguma vez encontrados. "Com todos os meios à disposição da polícia, não há nada neste processo que comprove que este homem estava em Las Vegas a 07 de setembro de 1996", sustentou o defensor.

Davis declara-se inocente e alega que o livro foi ficcionado pelo coautor e que se encontrava em Los Angeles na noite do crime.

Pano de fundo: a guerra entre Crips e Bloods

O caso insere-se num contexto mais amplo de rivalidade entre duas editoras discográficas — a Death Row Records e a Bad Boy Records, fundada por Sean "P. Diddy" Combs —, cada uma recorrendo a gangues rivais para proteção dos seus artistas. A guerra entre Crips e Bloods em Los Angeles atingiu o seu auge na década de 1990.

Na noite de 7 de setembro de 1996, tiros disparados de um Cadillac branco feriram Tupac Shakur em Las Vegas, onde assistira a um combate de boxe de Mike Tyson. O rapper morreu seis dias depois, aos 25 anos.

Source: CNN Portugal