Suspeito de 'tribunal do crime' do PCC preso em Cubatão após sequestro de advogado
Wagner Silva Medeiros, o 'Cabelera', foi detido em Cubatão como parte da Operação Patrocínio Fiel. Ele é apontado como envolvido no sequestro de um advogado pelo PCC.

'Cabelera' preso em Cubatão por envolvimento em sequestro de advogado ligado ao PCC
Wagner Silva Medeiros, de 42 anos, conhecido como 'Cabelera', foi preso na tarde de sexta-feira (4) em sua residência no bairro Vila São José, em Cubatão (SP), informou g1.globo.com. A detenção ocorreu durante um desdobramento da Operação Patrocínio Fiel, deflagrada para desarticular uma organização criminosa do Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvida em sequestro, extorsão, tortura e ameaça.
A vítima dos crimes é o advogado criminalista Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, que foi mantido refém por aproximadamente seis horas em um chamado "tribunal do crime" do PCC, em junho. Rafaell contou ao g1 que foi liberado após prometer desistir de uma ação judicial em andamento.
Os agentes surpreenderam Wagner antes que ele pudesse reagir. No local, foram apreendidos diversos equipamentos eletrônicos que, segundo o Ministério Público, serão submetidos a análise e podem fornecer novos elementos para as investigações. A defesa de Wagner não foi localizada até a publicação da reportagem.
Operação mobilizou forças especiais em quatro cidades
A fase principal da Operação Patrocínio Fiel foi executada em 12 de agosto pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com apoio da Rota, do 3º Batalhão de Choque, do Canil e do Comando de Operações Especiais (COE). Foram cumpridos mandados em endereços ligados a sete suspeitos nas cidades de Guarujá, São Vicente, Praia Grande e Cubatão, além de Florianópolis (SC).
A ação resultou na prisão de William Nascimento Boaventura, apontado como o responsável pela emboscada que culminou no sequestro do advogado. Durante a mesma operação, José Armerindo Santos de Carvalho, conhecido como Boqueta, morreu após entrar em confronto com policiais militares em São Vicente. Boqueta era cliente de Rafaell, que o defendia em processos por porte ilegal de arma e ações contra o Estado. Durante o cativeiro, o advogado chegou a ligar para Boqueta pedindo ajuda, mas não obteve resposta.
Origem do caso: disputa societária e interesse do grupo criminoso
O sequestro teve origem em uma ação judicial movida por Rafaell contra uma empresa supostamente controlada por Wagner Rodrigues dos Santos, apontado como integrante da facção. O advogado representava clientes que teriam sido expulsos da empresa por Wagner, com quem mantinham relação desde a infância. Segundo Rafaell, o suspeito prometeu compensar financeiramente os sócios pela saída do negócio, o que não ocorreu.
O objetivo do grupo ao sequestrar o advogado era forçá-lo a abandonar o processo e obter o endereço do cliente que ele representava — ex-sócio de Wagner. O empreendimento em disputa, localizado em Guarujá (SP), despertava interesse do grupo criminoso por ocupar 440 m² em área portuária e contar com três barcos pesqueiros, duas câmaras frigoríficas, três máquinas de limpar camarão e uma de fabricar gelo.
Denúncia e investigação
Após ser liberado, Rafaell procurou o Ministério Público para denunciar o caso. O GAECO iniciou a investigação e, em agosto, coordenou a operação junto à Polícia Militar. A prisão de Wagner três semanas após a fase inicial da operação representa um novo passo no cumprimento dos mandados expedidos no âmbito do inquérito.
O g1 tentou contato com a defesa de Wagner, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem.
Source: Google News BR — São Paulo