ONU exige reforço urgente da missão no Haiti após massacre com 47 mortos em Kenscoff

A ONU convocou reunião de emergência do Conselho de Segurança após ataque de gangues em Kenscoff matar pelo menos 47 pessoas. A força internacional autorizada opera ainda muito abaixo da capacidade.

ONU exige reforço urgente da missão no Haiti após massacre com 47 mortos em Kenscoff

Massacre em Kenscoff pressiona Conselho de Segurança a acelerar missão anti-gangues

A RTP reporta que a ONU apelou ao "destacamento rápido e completo" de efectivos de segurança para a missão internacional de combate aos gangues no Haiti, dias após um ataque que matou pelo menos 47 pessoas na comuna de Kenscoff.

O apelo foi lançado por Carlos Ruiz Massieu, chefe do Escritório das Nações Unidas no Haiti (BINUH), numa reunião de emergência do Conselho de Segurança, convocada a pedido do Panamá, dos Estados Unidos e da Colômbia. O ataque ocorreu na noite de 23 para 24 de agosto, nas colinas que sobranceiram Porto-Príncipe.

"As instituições de segurança nacional não podem ser deixadas a enfrentar esta ameaça sem o apoio adequado. O seu destacamento rápido e completo deve agora ser acelerado", declarou Massieu perante o Conselho.

Entre as vítimas do ataque a Kenscoff contam-se cinco crianças. Dezenas de pessoas foram raptadas e muitas outras ficaram feridas. Casas foram incendiadas e a população que procurava refúgio foi atacada inclusivamente numa igreja, onde membros dos gangues executaram pessoas e mataram outras que tentavam fugir, segundo relatou Massieu. "Exijo a libertação imediata e incondicional de todas as pessoas raptadas, incluindo mulheres e crianças", exigiu o responsável do BINUH.

Força de combate aos gangues muito abaixo da capacidade autorizada

A Força de Repressão de Gangues foi autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU no ano passado, com um efectivo previsto de 5.550 pessoas. Contudo, segundo o último relatório do BINUH, datado de 8 de julho, a componente militar contava apenas 1.083 elementos e a componente civil 16 funcionários — longe da capacidade operacional total.

O massacre de Kenscoff é o mais recente de uma série de ataques que afectam essa região desde o início de 2025. Massieu sublinhou que o episódio demonstrou a capacidade dos gangues de expandir a sua influência para além da capital e de desafiar a autoridade do Estado.

Entre abril e junho deste ano, a ONU documentou 1.408 mortos e 656 feridos no Haiti.

Crise humanitária "das mais graves do Hemisfério Ocidental"

Indrika Ratwatte, subsecretário-geral interino para Assuntos Humanitários da ONU, afirmou na mesma reunião que o Haiti enfrenta uma das crises humanitárias mais graves do Hemisfério Ocidental. Cerca de 6,4 milhões de pessoas necessitam de assistência. Quase 1,5 milhões estão deslocadas internamente, metade das quais crianças.

Os parceiros humanitários da ONU registaram mais de 5.500 incidentes de violência de género no primeiro semestre deste ano, dos quais aproximadamente 70% envolveram violação — com violações colectivas reportadas em quase três quartos dos casos.

Washington pressiona renovação do mandato

Vários membros do Conselho de Segurança defenderam o reforço da Força de Repressão de Gangues. Os Estados Unidos pressionaram para que o mandato da missão seja renovado no próximo mês.

A diplomata norte-americana Jennifer Locetta apelou à força para que "varra as ruas, neutralize a ameaça e devolva o Haiti ao seu povo", acrescentando que os terroristas não podem usar a democracia como refém para fins violentos.

Massieu advertiu ainda que, sem melhoria das condições de segurança, os esforços para reforçar a governação, avançar no processo político e preparar eleições permanecerão "severamente limitados e vulneráveis a contratempos". Pediu também que todos os que perpetram, financiam e armam os gangues sejam responsabilizados.

Source: RTP

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