Incêndio em fábrica de drones militares na Polónia investigado como terrorismo com ligação à Rússia

Um incêndio numa fábrica de drones militares em Skarżysko-Kamienna é investigado como sabotagem com ligação ao Kremlin. Câmaras captaram um indivíduo mascarado a instalar um dispositivo explosivo.

Incêndio em fábrica de drones militares na Polónia investigado como terrorismo com ligação à Rússia

Polónia aponta o dedo à Rússia após sabotagem em fábrica de drones militares

O vice-ministro do Interior polaco, Czesław Mroczek, confirmou na terça-feira que o incêndio deflagrado na madrugada de segunda-feira nas instalações da WB Electronics, em Skarżysko-Kamienna, no sul da Polónia, apresenta indícios claros de sabotagem. Segundo CNN Portugal, Mroczek afirmou que a ligação à Rússia é "evidente".

Em declarações à rádio RMF FM, o vice-ministro sublinhou que "lidamos com atos de sabotagem há vários anos, não só no nosso país, mas em toda a Europa, principalmente nos países que apoiam a Ucrânia, com o objetivo de impedir que estas sociedades e países a apoiem".

As câmaras de segurança da fábrica registaram um indivíduo mascarado a entrar nas instalações e a instalar um dispositivo explosivo com material inflamável. O fogo começou pouco depois das 00h00 e destruiu completamente um edifício de armazenamento e produção do complexo. Não foram reportadas vítimas, dado que a unidade estava encerrada e vazia à hora do incidente. A procuradoria estima os prejuízos em pelo menos quatro milhões de euros.

A investigação está a ser conduzida pela Procuradoria Nacional da Polónia em colaboração com a Agência de Segurança Interna (ABW) e o Serviço de Contra-Informação Militar, sob a hipótese de terrorismo e de colaboração com serviços de informações estrangeiros.

A fábrica afetada pertence ao Grupo WB, um dos maiores grupos privados de defesa da Polónia. A empresa é especializada em drones, sistemas de comando, rádios e munições de ataque de precisão, incluindo a família Warmate. A companhia tinha agendada a apresentação dos seus mais recentes produtos na feira internacional de armamento MSPO, em Kielce, onde planeava lançar o Gladius II — descrito pela própria como "um sistema não tripulado de última geração com um alcance de centenas de quilómetros, alta velocidade e assinatura de radar reduzida".

O incidente insere-se numa sequência recente de casos atribuídos a operações russas em território polaco. Em agosto, um cidadão russo foi detido em Varsóvia acusado de planear o assassínio de um ucraniano-americano. Um ucraniano foi igualmente detido por suspeita de tentar atacar uma figura proeminente da indústria bélica ucraniana. O governo polaco atribui estes casos a uma campanha de sabotagem e espionagem coordenada por Moscovo.

Source: CNN Portugal

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