Ataque DDoS à MEO causou falhas generalizadas em Portugal; dados não foram comprometidos
A MEO confirmou ter sido alvo de um ataque DDoS que congestionou a sua rede internacional em três períodos distintos. A operadora garante que não houve acesso ou comprometimento de dados.

MEO confirma ataque DDoS após apagão generalizado nas redes em Portugal
A MEO foi alvo de um ataque distribuído de negação de serviço (DDoS) que afetou a sua infraestrutura de rede internacional em três janelas temporais distintas, confirmou a operadora em comunicado enviado à redação da tek.sapo.pt. A empresa garante que não houve qualquer intrusão nos seus sistemas nem acesso a dados de clientes.
Portugal registou esta segunda-feira uma interrupção generalizada nos serviços de internet e rede móvel, com impacto nas quatro principais operadoras nacionais. De acordo com o Downdetector, as queixas começaram a surgir a partir das 17h30, atingindo o pico por volta das 18h20, e abrangeram cidades como Lisboa, Porto, Braga, Coimbra e Funchal. A MEO foi a operadora mais afetada, com mais de 7.000 ocorrências reportadas no momento de maior instabilidade, contra pouco mais de 300 na NOS, cerca de 270 na Vodafone e menos de 50 na Digi.
Os incidentes ocorreram em três períodos específicos: das 00h45 às 02h55, das 17h30 às 19h30, e das 22h45 às 01h05. Segundo a operadora, todos tiveram como alvo direto a sua infraestrutura de rede internacional.
Tráfego massivo com objetivo de saturar a rede
Tal como é característico neste tipo de ataque, o DDoS envolveu volumes elevados de tráfego com o propósito de provocar congestionamento e degradação temporária da rede. Os efeitos traduziram-se em dificuldades de acesso a sites e serviços suportados em tráfego internacional por parte de alguns clientes da operadora.
Através de dados de telemetria, monitorização de tráfego e indicadores de rede, as equipas da MEO conseguiram identificar a natureza do ataque e ativar os mecanismos de deteção, proteção, mitigação e recuperação previstos para este tipo de situações, o que permitiu estabilizar o serviço com a maior brevidade possível.
Dados públicos levantavam dúvidas sobre a origem
Durante o período de instabilidade, dados públicos do Cloudflare Radar e da IPinfo apontavam para um cenário distinto de um ataque originado no exterior, alimentando várias teorias alternativas. Perante esse contexto, a MEO esclareceu que os fenómenos de encaminhamento BGP identificados foram uma consequência do ataque e não a sua causa.
Segundo a operadora, "a instabilidade observada ao nível dos encaminhamentos BGP ocorreu no contexto da degradação provocada pelo ataque e da resposta operacional necessária à sua mitigação." A empresa acrescentou que "as quebras de interligações BGP verificadas com algumas das redes às quais a MEO se interliga foram, portanto, uma consequência da instabilidade provocada pelo ataque e não a sua causa."
Sem comprometimento de dados
A MEO sublinhou que, apesar do ataque, não ocorreu qualquer intrusão nos seus sistemas nem qualquer acesso ou comprometimento de dados, quer da operadora quer dos seus clientes. Esta garantia é consistente com a natureza de um ataque DDoS, cujo objetivo principal é saturar os servidores e não penetrar nos mesmos.
Como previsto por lei, o incidente foi reportado ao Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), mantendo a operadora a devida articulação com entidades competentes, parceiros tecnológicos e a comunidade técnica relevante para o acompanhamento da situação.
A notícia foi atualizada com informação adicional enviada posteriormente pela MEO. Última atualização: 16h52.
Source: Google News PT