Criminosos usam IA e credenciais falsas para invadir contas Microsoft 365 de empresas

A Microsoft detalhou campanhas sofisticadas em que cibercriminosos usam IA generativa e falso suporte técnico para roubar dados e dinheiro de empresas.

Criminosos usam IA e credenciais falsas para invadir contas Microsoft 365 de empresas

Ataques a contas corporativas na nuvem combinam IA e engenharia social

Cibercriminosos desenvolveram campanhas sofisticadas para invadir contas corporativas na nuvem da Microsoft e desviar dinheiro e informações confidenciais. Segundo o estadao.com.br, os esquemas foram detalhados pela Microsoft em relatórios de segurança digital publicados nos dias 9 e 10 de setembro, que identificam o uso de inteligência artificial generativa e falsas promessas de suporte técnico para enganar funcionários.

A empresa sublinhou que as suas plataformas não apresentam vulnerabilidades estruturais ativas. O problema reside nas narrativas de persuasão criadas pelos próprios invasores, de acordo com a equipa da Microsoft Security Research.

"Ao contrário dos golpes tradicionais de faturas que dependem de uma única isca de engenharia social, esta campanha combinou falsificação de identidade de executivos, marcas de fornecedores, faturas fabricadas e conversas de apoio numa narrativa unificada destinada a reduzir o ceticismo do destinatário", explicou a empresa nas análises técnicas.

Falso suporte técnico como porta de entrada

Uma das principais frentes explora um paradoxo da segurança moderna. Os invasores contactam funcionários por telefone ou mensagem no telemóvel pessoal, apresentando-se como membros do departamento de tecnologia da própria empresa. O pretexto é a urgência em atualizar chaves de acesso (passkeys) ou ferramentas de autenticação para evitar bloqueios nos sistemas.

Convencidos pelo falso apelo de manutenção, os trabalhadores recebem ligações com links por mensagem de texto que imitam a página real de início de sessão da Microsoft. A vítima cede o controlo da conta assim que insere os dados ou digita um código solicitado no ecrã. Os invasores registam de seguida um dispositivo telefónico próprio como aparelho oficial de segurança, garantindo permanência no sistema corporativo sem levantar alertas imediatos.

Com acesso garantido, o grupo vasculha plataformas de armazenamento interno, como o SharePoint e o OneDrive, além de caixas de correio eletrónico. A extração de documentos sigilosos ocorre de forma gradual e controlada — lotes moderados de ficheiros por hora — para não acionar defesas automáticas que monitorizam volumes atípicos de tráfego.

A equipa da Microsoft Threat Intelligence declarou que "a atividade de acesso inicial observada nesta campanha é utilizada por uma série de agentes de ameaça, incluindo Storm-3121, Storm-3032 e outros". A empresa acrescentou que o grupo Storm-3121 opera invasões que culminam em extorsão sob as marcas criminosas ShinyHunters, enquanto outro conjunto de operadores age sob o selo Helix.

Mais de um milhão de e-mails falsos em agosto

Paralelamente, a equipa de segurança da Microsoft identificou uma onda de fraude financeira com o envio de mais de um milhão de e-mails falsificados no início de agosto. A campanha concentrou esforços nos departamentos de contas a pagar de organizações nos Estados Unidos, com especial incidência nos setores de serviços de tecnologia, bens de consumo e manufactura.

Neste segundo modelo, os atacantes recorreram a inteligência artificial generativa para construir mensagens visualmente idênticas às trocas internas de trabalho. O remetente simulava a identidade de diretores executivos das empresas visadas e anexava faturas falsas da fornecedora de software ServiceNow, com valores próximos de 50 mil dólares.

Os especialistas da Microsoft Security Research concluíram: "A adoção de IA permitiu que os invasores aprimorassem os modelos de campanha e construíssem e-mails adaptados aos seus destinatários."

As mensagens incluíam um histórico fabricado em que os executivos supostamente aprovavam o pagamento e solicitavam uma transferência bancária urgente. A Microsoft identificou indícios claros do uso de IA na formatação dessas mensagens, nomeadamente comentários excessivamente organizados e um padrão rígido de estrutura de texto que apenas substituía o nome da empresa visada.

Recomendações da Microsoft

Para neutralizar investidas semelhantes, a equipa de resposta da empresa recomenda que os departamentos de informática mantenham regras estritas de verificação de identidade em qualquer pedido de redefinição de palavras-passe, bem como o bloqueio preventivo de acessos iniciados fora de dispositivos corporativos previamente homologados.

"Verifique a identidade do utilizador por meio de um processo rigoroso antes de realizar qualquer redefinição de credencial ou método de autenticação multifator iniciada pelo suporte técnico, e emita alertas a cada alteração desse tipo", orientou a companhia.

O contexto é preocupante: o Brasil registou três golpes por segundo no primeiro semestre de 2026, segundo dados citados pela mesma publicação.

Source: Google News PT