Duane "Keffe D" Davis condenado pelo assassínio de Tupac Shakur graças ao seu próprio livro

Quase 30 anos após a morte de 2Pac, o antigo líder de gangue Duane Davis foi considerado culpado de homicídio. As suas próprias memórias publicadas em 2019 foram decisivas para a condenação.

Duane "Keffe D" Davis condenado pelo assassínio de Tupac Shakur graças ao seu próprio livro

Ex-líder de gangue condenado pela morte de 2Pac quase três décadas depois

Duane "Keffe D" Davis, antigo líder de topo do gangue South Side Compton Crips, foi considerado culpado pelo homicídio de Tupac Shakur — o rapper conhecido como 2Pac —, assassinado em Las Vegas a 13 de setembro de 1996. Segundo a CNN Portugal, o elemento que reacendeu a investigação e acabou por ser decisivo para a condenação foi o próprio livro de memórias que Davis publicou em coautoria em 2019.

Um livro que serviu de prova

Tupac Shakur tinha 25 anos quando foi baleado em Las Vegas. Morreu seis dias depois, em setembro de 1996. Durante décadas, o caso permaneceu por resolver, apesar de Davis ser há muito suspeito das autoridades. Autoproclamado "verdadeiro gangster", Davis descreveu no volume Compton Street Legend episódios em que geria "um império de droga multimilionário a nível nacional" e afirmou ser "uma das únicas testemunhas oculares ainda vivas do assassínio de Tupac".

No livro, pode ler-se ainda: "Está na hora de eu esclarecer a história." As autoridades concluíram que foi Davis quem obteve a arma utilizada no crime e que se encontrava no veículo de onde partiram os tiros fatais.

Confissões públicas durante duas décadas

Ao longo de mais de vinte anos, Davis relatou a sua versão dos acontecimentos à polícia e em entrevistas públicas — declarações que, durante esse período, se revelaram insuficientes para o deter e levar a julgamento. Mesmo após a publicação do livro, em 2019, passaram cerca de quatro anos sem desenvolvimentos processuais significativos. Os investigadores estiveram, entretanto, a rever provas. Davis acabou por ser detido a 29 de setembro de 2023 e acusado de homicídio.

27 testemunhas, sem provas materiais em Las Vegas

Durante o julgamento, foram ouvidas 27 testemunhas, incluindo líderes de gangues rivais que, segundo o tribunal, "pareciam saber mais do que aceitavam dizer". Não havia provas materiais que colocassem Davis em Las Vegas naquela noite. A defesa questionou a autoria do livro e chegou a descrever o cliente como alguém conhecido por "dizer tretas".

Davis não subiu ao banco das testemunhas, mas o tribunal assistiu a excertos de vídeo em que ele promovia as memórias como "a verdadeira verdade". O júri reconheceu algumas inconsistências nas declarações feitas ao longo dos anos, mas considerou que o essencial se mantinha coerente.

Lei do Nevada permite condenação sem identificar o atirador

O julgamento não determinou quem disparou os tiros naquela noite. Ao abrigo da lei do Nevada, essa identificação não é necessária: como "mandante" que terá obtido a arma do crime, Davis pôde ser condenado por homicídio independentemente de ter ou não puxado o gatilho.

A morte de Tupac Shakur terá sido, segundo o livro, o "castigo" pela violação do "rígido código da rua". Com a condenação de Davis, o caso que durante quase 30 anos desafiou as autoridades norte-americanas chega a um desfecho judicial — provocado, em grande medida, pelas palavras do próprio arguido.

Source: CNN Portugal