Julgamento nulo de Lindsay Clancy: júri em impasse após sete dias de deliberações

O juiz William Sullivan declarou nulo o julgamento de Lindsay Clancy, ex-enfermeira acusada de matar os três filhos em Massachusetts. O júri não conseguiu chegar a veredicto unânime.

Julgamento nulo de Lindsay Clancy: júri em impasse após sete dias de deliberações

Júri não consegue veredicto no caso Lindsay Clancy

O julgamento de Lindsay Clancy, ex-enfermeira acusada do homicídio dos três filhos, foi declarado nulo esta sexta-feira pelo juiz William Sullivan, do tribunal de Massachusetts, avança a CNN Portugal.

"Neste momento, vou declarar que o júri está num impasse e vou declarar o julgamento nulo", disse Sullivan aos jurados, dispensando-os de seguida. A próxima audiência ficou agendada para 29 de setembro.

Depois de sete dias de deliberações, o júri comunicou pela terceira vez ao juiz a impossibilidade de alcançar uma decisão unânime. "É com grande pesar que informamos que não conseguimos chegar a uma decisão unânime e que não conseguiremos", lia-se na nota entregue ao tribunal.

Recurso de emergência rejeitado pelo Supremo Tribunal

Assim que tomou conhecimento do impasse, a defesa de Clancy apresentou um recurso de emergência ao Supremo Tribunal de Justiça de Massachusetts. A juíza Dalila Argaez Wendlandt recusou, contudo, o pedido do advogado de defesa Kevin Reddington para uma audiência sobre a "boa-fé" de um dos jurados, não deixando ao juiz Sullivan outra opção que não fosse declarar a nulidade.

Com uma hora concedida pelo juiz para tentar o recurso, Clancy e o seu advogado compareceram por videoconferência perante a juíza do Supremo Tribunal. A advogada Dana Goldblatt argumentou em nome da defesa que um dos jurados não estaria a cumprir a lei e que Sullivan se recusava a corrigir a situação de forma adequada. Wendlandt elogiou a rapidez e a qualidade dos documentos apresentados, mas acabou por não aceitar o recurso.

Acusada de três homicídios qualificados

Clancy, de 36 anos, responde por três homicídios qualificados pela morte dos filhos: Cora, de 5 anos; Dawson, de 3 anos; e Callan, de 8 meses, em janeiro de 2023. O júri deveria ainda deliberar sobre acusações de homicídio doloso e homicídio negligente.

A acusada não nega ter estrangulado as crianças na cave da habitação familiar. A defesa sustenta, porém, que Clancy não deve ser criminalmente responsabilizada pelos atos, alegando que sofria de psicose pós-parto no momento dos homicídios e da tentativa de suicídio que se seguiu.

O que acontece agora

Com o julgamento anulado, o processo regressa essencialmente ao ponto em que se encontrava antes do início do julgamento. Clancy permanece internada num hospital psiquiátrico enquanto aguarda a resolução do caso.

Os procuradores têm agora três opções: avançar com um novo julgamento perante um júri diferente, o que implicaria reiniciar o processo de seleção; propor um acordo judicial à defesa; ou optar por não prosseguir, tendo em conta os custos envolvidos ou a possibilidade de o resultado ser idêntico ao atual.

Source: CNN Portugal