Crise diplomática EUA-Brasil prejudica combate ao crime organizado transnacional

Tensão entre Washington e Brasília bloqueia vistos de agentes da PF e trava cooperação contra tráfico e lavagem de dinheiro, segundo o New York Times.

Crise diplomática EUA-Brasil prejudica combate ao crime organizado transnacional

Bloqueio de vistos paralisa cooperação policial entre Brasil e EUA

A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos está prejudicando a cooperação bilateral no combate ao crime organizado, conforme reportagem do New York Times publicada neste sábado (12). O cnnbrasil.com.br repercutiu o material, que se baseia em autoridades brasileiras e americanas ouvidas sob condição de anonimato.

Segundo as fontes, o Departamento de Estado americano está bloqueando os vistos de dois agentes da Polícia Federal brasileira que haviam sido designados para atuar conjuntamente com agências federais dos EUA no enfrentamento a crimes transnacionais. Um desses agentes estava programado para substituir o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, expulso dos Estados Unidos após ter participado da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

O governo americano também teria recusado um pedido de visita de agentes da alfândega e da Receita Federal do Brasil, que investigam lavagem de dinheiro e tráfico de armas praticados por quadrilhas internacionais de drogas.

Em nota ao New York Times, o Departamento de Estado afirmou que o governo Trump está protegendo "a nação e seus cidadãos, ao manter os mais elevados padrões de segurança nacional e segurança pública por meio de nosso processo de vistos", acrescentando que continuará trabalhando com o Brasil em prol de "interesses compartilhados de longa data". O Departamento de Estado não respondeu ao contato da CNN Brasil até o momento da publicação.

Em resposta às restrições americanas, autoridades brasileiras ouvidas pelo NYT afirmam que o Brasil está retendo o visto de uma autoridade policial americana que viria atuar no país. A Polícia Federal e a Receita Federal também não se manifestaram até o fechamento da reportagem.

Especialistas consultados pelo jornal americano alertam que, embora a cooperação técnica e o compartilhamento de inteligência continuem funcionando, a falta de coordenação em alto nível pode comprometer operações de maior escala.

As fontes citadas na reportagem apontam que organizações criminosas brasileiras utilizam o sistema financeiro dos Estados Unidos para lavar dinheiro e se valem das legislações mais permissivas de alguns estados americanos sobre posse e porte de armas para contrabandear armamento ilegal para o Brasil.

O Brasil também é descrito como rota estratégica do tráfico de cocaína destinada à Europa, à África e a outras regiões do mundo. Facções brasileiras têm firmado alianças com gangues mexicanas e colombianas para escoar drogas da América Latina.

O jornal destaca que a deterioração da cooperação já produziu ao menos um desencontro operacional concreto. Em julho, a Polícia Federal informou que a sanção imposta pelos EUA contra dois brasileiros apontados como ligados ao PCC levou à antecipação da Operação Exchange, o que pode ter comprometido o resultado da ação — incluindo a fuga de um dos investigados.

O PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) foram classificados pelos Estados Unidos como "Terroristas Globais Especialmente Designados" e "Organizações Terroristas Estrangeiras".

Source: Google News BR — Crime

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