Presidente do Água Santa é alvo do PCC e já foi investigado por fraudes na saúde em Sorocaba

Paulo Korek, presidente do EC Água Santa, é alvo de operação do Gaeco contra o PCC e já havia sido investigado por desvios em contratos de saúde em Sorocaba.

Presidente do Água Santa é alvo do PCC e já foi investigado por fraudes na saúde em Sorocaba

Empresário do futebol é apontado como "testa de ferro" do PCC e alvo de investigação de fraudes em Sorocaba

Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente do Esporte Clube Água Santa e empresário do setor de transportes, é alvo de mandado de prisão temporária expedido no âmbito da operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público estadual, por meio do Gaeco. Segundo g1.globo.com, Korek é apontado pelas autoridades como "testa de ferro" do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista.

A polícia o considera foragido. A defesa informou ao g1 que ele pretende se apresentar às autoridades.

Empresário com múltiplos negócios

Conhecido como "Paulinho Camarão", Korek é gestor das empresas Translíder e A2 Transportes. Seu nome consta como presidente do Água Santa no cadastro da Federação Paulista de Futebol (FPF). O clube é sediado em Diadema, na Grande São Paulo, foi fundado em 1981 e profissionalizado em 2011.

Além da atuação no transporte e no futebol, Korek é apontado pelas investigações como dono da Organização Social Instituto de Atenção à Saúde e Educação (Aceni) — entidade que está no centro de um suposto esquema de desvios na saúde investigado pela Polícia Federal na Operação Copia e Cola.

Ligação com o caso Sorocaba

A Aceni é o pivô de investigação que levou ao afastamento do prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), por quase cinco meses do cargo. Contratos firmados entre a OS e a prefeitura incluem a administração da UPA do Éden e da UPH Zona Oeste, com valores que somam mais de R$ 123 milhões já pagos pelos cofres públicos.

As investigações, que contam com provas colhidas pelo Gaeco do Rio Grande do Sul na Operação Copa Livre em 2022, indicam que a Aceni teria sido favorecida em licitações pela Prefeitura de Sorocaba após articular apoio financeiro à campanha eleitoral de Manga em 2020. O caso também envolve os ex-secretários municipais Vinicius Rodrigues, da saúde, e Fausto Bossolo, da administração.

Em abril de 2025, mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sede da prefeitura e em endereços ligados ao prefeito. A Polícia Federal apreendeu carros de luxo, armas e mais de R$ 800 mil em caixas de papelão.

PCC usou Aceni como modelo para outras ONGs

Conforme apurado pela TV TEM e relatado pelo g1.globo.com, a criação da Aceni aparece em conversas atribuídas a membros do PCC interceptadas na operação desta quinta-feira. A entidade teria sido usada como exemplo para a estruturação de outras organizações não governamentais com o objetivo de obter contratos e recursos na área da saúde pública.

O relatório da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes registrou diálogos nos quais dois indivíduos identificados como integrantes do PCC discutem a criação de uma ONG. Em um dos trechos, um deles se descreve como "laranja" de Korek e membro do conselho da entidade.

Nos áudios transcritos, um dos envolvidos afirma: "O que o Camarão fez comigo e com meus parentes, tudinho lá. Criou uma e acelerou, entendeu?". Em seguida, comenta: "Mil reais para montar uma ONG, tem a documentação e tem tudo, é facinho. Só que assim, você pega uma que já tem uns anos, andando, aí fica mais fácil para gente conseguir recursos, entendeu?".

Empresa nega envolvimento com o crime organizado

Em nota divulgada pelo g1, a A2 Transportes, por meio do próprio Paulo Korek, nega "de forma categórica" qualquer ligação com o PCC, lavagem de dinheiro ou atividades ilícitas.

"A A2 Transportes nunca teve envolvimento com o PCC e jamais fez lavagem de dinheiro. Nossos recursos são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços que prestamos. Não temos outras fontes de entrada de recursos. Nossa história é construída com trabalho, seriedade e ética. Estamos à disposição para todos os esclarecimentos necessários e confiamos na apuração dos fatos e na Justiça", diz o pronunciamento.

A nota acrescenta que Korek enxerga "forte componente político" no movimento em torno da empresa, mas reitera a disposição para colaborar com as autoridades e respeitar "o devido processo legal".

Prefeitura de Sorocaba não se manifesta sobre investigações

O g1 questionou a Prefeitura de Sorocaba sobre eventual conhecimento das investigações ou do suposto vínculo de Korek com o crime organizado. Em nota, a prefeitura afirmou que não tem conhecimento sobre o tema, sem detalhar sua posição acerca dos contratos firmados com a Aceni.

Source: Google News BR — São Paulo

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