Operação Dinastia do Lago: quem são Adail Pinheiro e Adail Filho, alvos da PF no Amazonas
A PF deflagrou operação contra o prefeito de Coari e o deputado federal Adail Filho por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. Ministro Alexandre de Moraes autorizou 29 mandados de busca e apreensão.

Pai e filho no centro de investigação federal por fraudes em contratos públicos no Amazonas
O prefeito de Coari, Manoel Adail Pinheiro (Republicanos), e o deputado federal Adail Filho (MDB) são os principais alvos da Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (16), conforme reporta g1.globo.com. A investigação apura suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados a contratos da Prefeitura de Coari, no interior do Amazonas.
A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, 29 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Manaus e em Coari. Adail Pinheiro e secretários municipais foram afastados de seus cargos.
O principal alvo da operação é Adail Filho, filho do prefeito. Segundo a TV Globo, mandados de busca foram cumpridos contra o parlamentar no Amazonas, mas não em Brasília.
Histórico de Manoel Adail Pinheiro
Manoel Adail Pinheiro comandava a Prefeitura de Coari no momento da operação. Eleito pela primeira vez em 2004, retornou ao cargo em 2012 e voltou a vencer as eleições em 2024.
A trajetória política de Adail Pinheiro é marcada por investigações e condenações. Em 2008, foi detido pela Polícia Federal durante a Operação Vorax, sob suspeita de participar de um esquema que teria desviado mais de R$ 40 milhões dos cofres do município. Na mesma investigação, a polícia identificou indícios de uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes.
Em novembro de 2014, Adail Pinheiro foi condenado a 11 anos e 10 meses de prisão por crimes ligados à exploração sexual de crianças e adolescentes — ele já estava preso desde fevereiro daquele ano. Em janeiro de 2017, a Justiça concedeu indulto, extinguindo a pena. No mês seguinte, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) suspendeu o benefício após recurso do Ministério Público, e Adail voltou a cumprir pena em regime domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica.
Histórico de Adail Filho
Filho do prefeito, Adail Filho seguiu carreira política em Coari. Foi eleito prefeito em 2016 e reeleito em 2020, mas teve a candidatura cassada pela Justiça Eleitoral, que aplicou a regra que impede membros da mesma família de ocupar o cargo por mais de dois mandatos consecutivos.
Em 2019, já no exercício do mandato de prefeito, Adail Filho foi preso na Operação Patrinus, conduzida pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Civil. A investigação apurava suspeitas de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos.
Segundo as apurações da época, Adail Filho teria utilizado contratos da prefeitura para beneficiar fornecedores com dívidas pendentes havia anos. A suspeita era de que empresários pagavam 30% do valor das dívidas para receber os repasses. A operação também investigou suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.
Na mesma operação, foram presos o presidente da Câmara de Coari, Keitton Pinheiro, primo de Adail Filho, além de um empresário e um policial militar. A polícia cumpriu mandados de busca em endereços ligados a servidores, vereadores e empresários.
O inquérito no STF e o gatilho da operação
A operação desta quarta-feira é um desdobramento de um inquérito aberto no STF para investigar Adail Filho por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. As investigações tiveram início após a prisão em flagrante de três empresários no Aeroporto de Brasília, em maio de 2025.
Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho transportavam cerca de R$ 1,25 milhão em espécie em um voo entre Manaus e Brasília e não apresentaram, naquele momento, comprovação da origem do dinheiro. A partir dessa apreensão, documentos e aparelhos eletrônicos recolhidos durante a investigação foram analisados com autorização judicial.
Segundo o processo, o material apontou movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis vínculos com contratos da Prefeitura de Coari. As apurações identificaram ainda empresas ligadas aos investigados que mantinham contratos com o município e que, segundo a investigação, podem ter sido utilizadas para fraudar licitações. O caso envolve também repasses de emendas parlamentares destinadas a Coari nos anos de 2024 e 2025.
Decisão de Moraes e prorrogação das investigações
Em despacho, o ministro Alexandre de Moraes apontou que os documentos e dispositivos apreendidos indicaram, segundo a investigação, a realização de repasses financeiros por empresas vinculadas aos investigados em favor de Adail Filho e de Adail Pinheiro.
"Na mesma ocasião, foram apreendidos documentos e dispositivos eletrônicos que, após análise autorizada judicialmente, revelaram a realização de repasses financeiros por pessoas jurídicas vinculadas aos investigados em benefício do Deputado Federal Adail Filho e de seu pai, Manoel Adail, prefeito do Município de Coari/AM", diz trecho da decisão.
Moraes determinou a abertura do inquérito após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e encaminhou o caso à Polícia Federal para dar continuidade às investigações. Em 24 de junho de 2026, prorrogou a apuração por mais 60 dias a pedido da PF, que apontou a complexidade dos fatos, a quantidade de pessoas físicas e jurídicas envolvidas e a existência de diligências ainda pendentes.
A investigação apura a possível prática de corrupção e lavagem de dinheiro. Na operação desta quarta-feira, são investigadas também suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e peculato. O g1.globo.com informa que tenta localizar a defesa de Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho.
Source: Google News BR — São Paulo