Empresário preso por fraude em medidores de energia em Itanhaém; prejuízo supera R$ 754 mil
Um empresário de 54 anos foi detido após fiscalização encontrar ímãs em medidores de energia de prédio comercial em Itanhaém (SP). Ele foi liberado na audiência de custódia.

Ímãs em medidores fraudavam consumo de energia em prédio comercial no litoral paulista
Um empresário de 54 anos foi preso após fiscalização da Neoenergia Elektro identificar indícios de fraude em medidores de energia de um prédio comercial no bairro Gaivota, em Itanhaém, no litoral de São Paulo. Conforme apurado por g1.globo.com, ímãs foram encontrados nos equipamentos para fazer os aparelhos registrarem um consumo menor do que o real. O prejuízo estimado pela concessionária ultrapassa R$ 754 mil.
O homem foi autuado em flagrante por estelionato e furto, mas liberado na quinta-feira (10) após audiência de custódia. A juíza Priscila Domenice Suarez entendeu que não estavam presentes os requisitos necessários para mantê-lo preso preventivamente.
Fiscalização e achados na vistoria
Segundo o boletim de ocorrência, o local já havia sido alvo de uma vistoria anterior que apontou irregularidades nos medidores. Durante a nova inspeção, foram encontrados ímãs em cerca da metade dos equipamentos, além de lacres violados nas caixas.
De acordo com a Polícia Civil, os ímãs interferiam no funcionamento dos relógios dos medidores, reduzindo artificialmente o consumo registrado. Um representante da Elektro informou à polícia que, após análise do setor antifraude da empresa, o prejuízo foi estimado em R$ 754 mil.
A concessionária afirmou que a quantidade de energia que teria deixado de ser contabilizada seria suficiente para abastecer 3.690 residências durante um mês. As ligações irregulares foram constatadas na quarta-feira (9), após monitoramento dos estabelecimentos.
O boletim registra ainda que o empresário não soube explicar as violações encontradas no sistema elétrico.
Justiça concede liberdade provisória
Na audiência de custódia realizada na quinta-feira, a magistrada concedeu liberdade provisória ao empresário, com imposição de medidas cautelares. Na decisão, a juíza Suarez destacou que não houve violência nem resistência à prisão e que, nesta fase inicial da investigação, ainda existem dúvidas sobre a autoria ou sobre a responsabilidade pelo prejuízo apontado.
A advogada Mikaela Naktsu, que representa o empresário, afirmou em nota que o imóvel passou recentemente por um processo de inventário e que cinco proprietários constam na escritura. Segundo a defesa, "a propriedade do imóvel não se confunde, por si só, com a atribuição de eventual responsabilidade criminal a uma única pessoa".
Naktsu acrescentou que "os fatos ainda estão em fase de apuração e que qualquer conclusão antecipada acerca de eventual responsabilidade criminal seria prematura, especialmente diante dos próprios fundamentos consignados na decisão judicial".
A defesa também contestou a forma da prisão. Segundo o texto divulgado pela advogada, o investigado não foi conduzido coercitivamente à delegacia, mas compareceu por conta própria após ser informado por um investigador de que um representante do imóvel precisava acompanhar a ocorrência. "Ele permaneceu livre, sentado e aguardando nas dependências da delegacia durante a ocorrência, sem estar detido", afirma a nota. A prisão teria sido comunicada apenas ao final dos procedimentos.
Como a fraude foi detectada
Em nota, a Elektro explicou que a identificação de irregularidades ocorre por meio de diferentes ferramentas, incluindo sistemas que analisam padrões de consumo, comparando históricos de uso e identificando comportamentos atípicos. Inspeções em campo e denúncias recebidas pelos canais de atendimento também contribuem para o processo.
Os medidores do estabelecimento foram recolhidos, lacrados e encaminhados para perícia técnica. Questionada sobre a possibilidade de reaver os valores, a empresa respondeu que adota as medidas previstas na regulamentação do setor elétrico.
"O fornecimento pode ser suspenso até a regularização da situação, são realizados os procedimentos de recuperação da energia não faturada e o cliente é orientado sobre os passos necessários para regularizar a ligação de forma segura e dentro das normas vigentes", declarou a concessionária.
A Elektro informou ainda que a população pode denunciar ligações clandestinas de forma anônima pelos seguintes canais: Central de Atendimento pelo número 0800 701 01 02, WhatsApp pelo (19) 2122-1696 e pelo site www.neoenergia.com/web/sp.
Source: Google News BR — São Paulo