Fraude fiscal e lavagem de R$ 108 mi no setor de sucatas: operação cumpre mandados em 4 estados

A Polícia Civil do DF deflagrou operação contra grupo investigado por sonegação e lavagem no setor de sucatas. Mais de R$ 108 milhões foram movimentados entre 2020 e 2024.

Fraude fiscal e lavagem de R$ 108 mi no setor de sucatas: operação cumpre mandados em 4 estados

Operação da Polícia Civil do DF mira esquema de sucatas com R$ 108 mi em movimentações suspeitas

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (10), uma operação contra um grupo criminoso investigado por sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de sucatas. Segundo cnnbrasil.com.br, mais de R$ 108 milhões teriam sido movimentados pelo grupo ao longo de quatro anos.

A ação é conduzida pela DOT (Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária) e cumpre 11 mandados de busca e apreensão nos estados de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e São Paulo.

A Justiça determinou ainda o sequestro de bens, direitos e valores de até R$ 56 milhões, com bloqueios em instituições financeiras e investimentos. Entre os bens atingidos estão uma aeronave avaliada em aproximadamente R$ 8 milhões, seis veículos de luxo e um imóvel. A medida visa resguardar patrimônio relacionado à investigação e assegurar eventual ressarcimento ao erário.

Os alvos respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem tributária. As penas somadas podem chegar a 23 anos de prisão.

Como o esquema foi montado

As investigações tiveram início a partir de uma autuação fiscal envolvendo uma empresa de fachada em São Paulo, identificada como destinatária de notas fiscais emitidas por uma empresa fictícia do Distrito Federal.

A análise fiscal e financeira apontou indícios de uma estrutura empresarial criada para conferir aparência de regularidade às operações, gerar créditos tributários fraudulentos e movimentar valores entre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo.

A empresa fictícia do Distrito Federal foi constituída em julho de 2020 e emitiu 49 notas fiscais, totalizando mais de R$ 7 milhões destinados à empresa paulista em menos de 20 dias. Apesar do volume de operações, a suposta fornecedora não possuía conta bancária. Seu responsável formal também não registrou movimentações financeiras com a destinatária das notas ou com os demais investigados. A empresa foi posteriormente cancelada por inexistência de fato.

Fluxo de recursos e dispersão do dinheiro

Entre julho de 2020 e julho de 2024, a empresa de fachada de São Paulo recebeu mais de R$ 108 milhões e repassou R$ 107 milhões a terceiros. Os investigadores detectaram transferências milionárias a empresas formalmente distintas, algumas vinculadas aos mesmos sócios e com características incompatíveis com o volume de dinheiro movimentado.

Entre os elementos levantados estão coincidências de endereços, telefones e e-mails, ausência de empregados cadastrados e estruturas empresariais aparentemente reduzidas.

A investigação apura se a rede de pessoas jurídicas foi utilizada para dispersar recursos, dificultar a identificação dos beneficiários finais e conferir aparência de licitude aos valores originados na fraude fiscal.

Também foram identificadas movimentações financeiras envolvendo pessoas físicas ligadas aos responsáveis pelas empresas investigadas. A polícia apontou o uso de holdings, empresas de locação de veículos, de venda de roupas femininas e outras pessoas jurídicas na titularidade e circulação de bens — estruturas que, segundo a investigação, teriam sido utilizadas para ocultar ou dissimular a origem dos valores.

Se comprovada a atuação dos investigados, eles poderão responder por organização criminosa, crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Source: Google News BR — Crime