Chefe de esquema de tráfico internacional de armas é extraditado da Argentina ao Brasil

Principal réu da Operação Dakovo foi extraditado da Argentina para o Brasil nesta quarta-feira (9). Ele responde por organização criminosa, 25 episódios de tráfico de armas e 28 de lavagem de dinheiro.

Chefe de esquema de tráfico internacional de armas é extraditado da Argentina ao Brasil

Réu da Operação Dakovo chega ao Brasil após extradição da Argentina

O principal acusado de liderar uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de armas foi extraditado da Argentina para o Brasil nesta quarta-feira (9), conforme informa mpf.mp.br. O réu responde a ação penal em tramitação na Justiça Federal na Bahia.

A denúncia, apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado na Bahia (Gaeco/MPF), imputa ao acusado o crime de organização criminosa — com causas de aumento de pena —, 25 episódios de tráfico internacional de armas e 28 de lavagem de dinheiro.

Segundo a acusação, o réu era sócio-gerente de uma empresa paraguaia utilizada para operar o esquema. As armas eram importadas para o Paraguai e, por meio da estrutura da organização, introduzidas ilegalmente no Brasil. O Ministério Público Federal (MPF) aponta que ele exercia posição de comando sobre outros integrantes e era um dos principais beneficiários dos recursos financeiros das operações.

A investigação identificou ainda que diversas armas adquiridas pela empresa foram posteriormente apreendidas em diferentes estados brasileiros. O esquema contava com vendedores, intermediários e com a participação de militares paraguaios lotados na Dirección de Material Bélico (Dimabel) — agência paraguaia de controle de armas —, que teriam facilitado procedimentos necessários às operações e atuado em favor dos interesses da organização.

Fuga e captura

Após a deflagração da Operação Dakovo, em dezembro de 2023, o réu ficou foragido. Em fevereiro de 2024, foi localizado pela Interpol e preso em Córdoba, na Argentina, com base em mandados de prisão internacional e alertas vermelhos emitidos pelas autoridades brasileiras. Ele permaneceu sob custódia argentina até ser transferido ao Brasil.

O réu ficará provisoriamente detido em estabelecimento prisional no Mato Grosso do Sul até ser transferido ao Sistema Penitenciário Federal (SPF).

Além da extradição, a Secretaria de Cooperação Internacional do MPF acompanha 19 pedidos de cooperação jurídica internacional formulados pelo Gaeco no âmbito da operação — 11 direcionados ao Paraguai e 8 à Argentina. Os pedidos abrangem coleta de provas, realização de oitivas e atos de comunicação processual, como intimações.

Origem e desdobramentos da operação

A Operação Dakovo teve início após a apreensão de fuzis de origem croata em Vitória da Conquista (BA), em 2020. As investigações, conduzidas pelo MPF e pela Polícia Federal, revelaram uma rede que importava armas da Europa e da Turquia para o Paraguai, de onde eram comercializadas ilegalmente para o Brasil. O esquema envolvia empresas de fachada, simulações de vendas e militares paraguaios.

Em dezembro de 2023, o MPF denunciou 28 pessoas investigadas. A ação penal principal foi posteriormente desmembrada conforme os diferentes núcleos de atuação, dando origem a outras 11 ações penais. Recentemente, uma nova ação penal relativa ao núcleo de lavagem de dinheiro também foi protocolada.

Até o momento, 7 sentenças condenatórias de primeira instância alcançaram 20 réus, por crimes relacionados à participação em organização criminosa, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro. Uma das ações, referente ao núcleo de vendedores, já transitou em julgado. A ação penal que inclui o réu agora extraditado segue em tramitação na Justiça Federal na Bahia.

Source: Google News BR — Crime