Gangues de motos semeiam insegurança em Lisboa com roubos de relógios de luxo
Vários grupos criminosos armados atacam vítimas em semáforos e parques de estacionamento em Lisboa e no Algarve. A Polícia investiga múltiplas quadrilhas com métodos semelhantes.
Roubos de relógios a mão armada proliferam em Lisboa e alargam-se ao país
O Correio da Manhã reporta que um conjunto de grupos criminosos está a provocar um clima de insegurança em Lisboa e noutras regiões do país, através de roubos à mão armada protagonizados por elementos em motociclos.
O padrão inicial era preciso: dois ladrões numa mota escolhiam alvos específicos — portadores de relógios de luxo — e abordavam-nos quando saíam de parques de estacionamento ou quando paravam num semáforo. Com a ameaça de uma arma de fogo, forçavam as vítimas a entregar os relógios. As operações concentravam-se num eixo definido: Avenida da Liberdade, Amoreiras e Avenida António Augusto Aguiar.
O êxito dos primeiros golpes atraiu imitadores. À medida que a prática foi ganhando visibilidade mediática, os roubos dispersaram-se por toda a cidade e, posteriormente, alargaram-se a outras zonas do país, incluindo o Algarve.
Do grupo especializado à multiplicação de quadrilhas
A evolução do fenómeno traduziu-se numa mudança de perfil. O que começou como uma única quadrilha sincronizada e especializada em relógios de alto valor transformou-se numa pluralidade de grupos com métodos menos depurados. Passaram a atuar em grupos de três ou quatro elementos, distribuídos por duas motas, e a agir de forma mais impulsiva e desorganizada. Deixaram igualmente de se limitar aos relógios: passaram a roubar tudo o que as vítimas tinham consigo.
Esta desorganização crescente trouxe consigo um risco acrescido. O episódio mais grave registado até agora foi um assalto falhado em que um dos ladrões acabou por morrer.
Polícia enfrenta investigação fragmentada
A proliferação de grupos com modus operandi semelhante complica o trabalho das autoridades. A Polícia tem agora de investigar em simultâneo várias quadrilhas, sem que exista um único núcleo central a desmantelar. Segundo o Correio da Manhã, a pressão para agir com rapidez é elevada: prolongar a situação sem resposta visível arrisca consolidar um sentimento generalizado de insegurança entre a população.
Source: Correio da Manhã