Ventura e dois deputados do Chega autorizados a depor por escrito sobre invasão do gabinete
O plenário da Assembleia da República aprovou por unanimidade um parecer que autoriza André Ventura e dois deputados do Chega a testemunharem por escrito sobre a alegada invasão ao gabinete parlamentar.
Plenário aprova por unanimidade depoimento escrito de Ventura sobre alegado assalto ao gabinete
O plenário da Assembleia da República aprovou esta sexta-feira, por unanimidade, um parecer da Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados que autoriza os deputados do Chega André Ventura, Francisco Gomes e Paulo Seco a prestarem depoimento por escrito sobre a alegada invasão ao gabinete parlamentar do líder do partido, segundo o Público.
O parecer tinha sido emitido na terça-feira pela comissão competente. No documento, lê-se que os três deputados ficam autorizados a "prestar depoimento por escrito, na qualidade de testemunhas, no âmbito do inquérito n.º 289/26.5JBLSB que corre termos no Tribunal Central de Instrução Criminal - Juiz 6".
O incidente de 28 de julho
Na manhã de 28 de julho, Ventura divulgou um vídeo nas redes sociais alegando que o seu gabinete na Assembleia da República tinha sido invadido e remexido, acrescentando que o espaço não se encontrava fechado à chave.
Posteriormente, o presidente do Chega revelou que desapareceram documentos relacionados com o primeiro-ministro e com a comissão de inquérito aos mandatos de Luís Neves enquanto diretor da Polícia Judiciária (PJ) — uma comissão cuja criação o partido tinha proposto.
A PJ deslocou-se ao local através da Unidade Nacional Contraterrorismo. No dia seguinte, Ventura informou que a PJ lhe solicitou imagens do gabinete anteriores à alegada invasão e quis apurar se as pen drives "que tinham desaparecido tinham sido colocadas alguma vez no computador".
Ministério Público confirma inquérito urgente
Em 30 de julho, o Ministério Público confirmou à Lusa a abertura de um inquérito, que corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Lisboa, com coadjuvação da PJ.
Cerca de duas semanas antes desta votação no plenário, o procurador-geral da República, Amadeu Guerra, classificou o inquérito como urgente. Na terça-feira, Guerra reiterou que o Ministério Público está a "trabalhar para que tudo seja rápido" nos casos que envolvem o ministro Luís Neves e a alegada invasão ao gabinete do presidente do Chega.
Em declarações prestadas em Beja, Guerra sublinhou que o processo "está em investigação com celeridade", assinalando que a instrução decorreu inclusive durante o período de férias.
Caso usado como arma política
O alegado assalto ao gabinete de Ventura, ocorrido no final de julho, tornou-se rapidamente num instrumento de confronto entre partidos. Têm circulado insinuações de que o incidente terá sido encenado, o que o Chega rejeita.
Source: Público