Alex Saab declara-se culpado de branqueamento em tribunal federal em Miami
O ex-ministro venezuelano Alex Saab confessou em Miami conspiração para branqueamento de capitais, no âmbito de um acordo com o Ministério Público dos EUA.

Ex-ministro de Maduro confessa crimes financeiros em tribunal dos EUA
O ex-ministro da Indústria da Venezuela Alex Saab declarou-se culpado de conspiração para branqueamento de capitais e transações financeiras ilícitas esta terça-feira, num tribunal federal em Miami, Florida. Segundo o Correio da Manhã, a confissão resultou de um acordo com o Ministério Público norte-americano.
"Culpado, Meritíssima", afirmou o empresário colombiano de 54 anos perante a juíza Kathleen M. Williams, alterando a declaração de inocência que havia apresentado a 24 de julho último. Saab garantiu, segundo o diário venezuelano El Nacional, que não sofreu ameaças nem qualquer tipo de pressão para aceitar a culpa.
Acordo de 12 páginas e pena máxima de 20 anos
O conteúdo do acordo, com 12 páginas, não foi divulgado publicamente. Saab poderá enfrentar uma pena máxima de 20 anos de prisão, aguardando sentença definitiva prevista para janeiro de 2027. Em tribunal, admitiu ter cometido, com cúmplices ainda não identificados, atos de conspiração, fraude, suborno de funcionários públicos e ocultação da origem de fundos.
O portal Alberto News avançou ainda que Saab terá chegado a acordo para entregar cerca de 195 milhões de dólares — aproximadamente 169 milhões de euros —, considerados lucros obtidos de forma ilícita através do esquema de corrupção.
O esquema: empresas fictícias e contratos alimentares desviados
Segundo as autoridades norte-americanas, Saab e os seus colaboradores terão criado uma rede de empresas fictícias, falsificado documentos de embarque e desviado dinheiro de contratos governamentais ligados à importação de alimentos da Colômbia e do México para a Venezuela. A estrutura está relacionada com o programa CLAP, lançado durante o governo de Nicolás Maduro para distribuir géneros básicos — arroz, farinha de milho e óleo — a populações de baixos rendimentos, a preços subsidiados, no contexto da grave crise económica venezuelana.
Segundo o Alberto News, o esquema terá ainda permitido o acesso a milhares de milhões de dólares provenientes das operações petrolíferas da empresa estatal PDVSA.
Trajetória: de herói em Caracas a réu em Miami
Saab foi preso em 2020 em Cabo Verde e posteriormente extraditado para os Estados Unidos. Em 2023, regressou à Venezuela no âmbito de uma troca de prisioneiros durante a administração do presidente democrata Joe Biden, tendo sido recebido como herói em dezembro desse ano. Em janeiro de 2024, foi nomeado presidente do Centro Internacional de Investimentos Produtivos e, em outubro do mesmo ano, ministro da Indústria e Produção Nacional.
O cargo ministerial durou pouco. Em janeiro de 2025, duas semanas após a operação militar norte-americana em Caracas que resultou na captura de Nicolás Maduro, a presidente interina Delcy Rodríguez exonerou-o do cargo. Em 17 de maio, o governo venezuelano anunciou a deportação de Saab para os Estados Unidos, invocando os crimes de que é acusado naquele país. O Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros da Venezuela indicou, num comunicado divulgado no Instagram, que o processo decorreu a 16 de maio "em conformidade com as disposições da lei de imigração venezuelana".
Procuradores norte-americanos acusaram Saab formalmente de corrupção em janeiro, pouco depois de os EUA terem capturado Maduro e a mulher, Cilia Flores, transferidos para Nova Iorque para responder a acusações de tráfico de droga.
Descrito como testa-de-ferro de Maduro
Os EUA descrevem Saab como testa-de-ferro do antigo presidente venezuelano, amigo pessoal de Maduro há anos. O New York Times noticiou em março que a administração de Donald Trump negociava a extradição de Saab enquanto este permanecia sob custódia venezuelana — uma negociação que antecedeu a deportação anunciada em maio.
Source: Correio da Manhã