Grupo brasileiro roubou 900 mil euros em bancos portugueses em 10 meses

Onze arguidos de nacionalidade brasileira foram acusados pelo MP de mais de uma dezena de assaltos a bancos, carrinhas de valores e casas de câmbio em Portugal.

Grupo brasileiro roubou 900 mil euros em bancos portugueses em 10 meses

Disfarçados de estafetas, grupo brasileiro saqueou bancos em todo o país

Onze cidadãos de nacionalidade brasileira foram acusados pelo Ministério Público da prática de crimes de roubo qualificado, roubo, sequestro, associação criminosa e branqueamento de capitais, após terem assaltado uma dúzia de bancos, casas de câmbio e carrinhas de transporte de valores em várias zonas de Portugal Continental, num período de apenas dez meses.

Conforme noticiasaominuto.com relata, com base na acusação do DIAP de Santarém, o grupo conseguiu subtrair mais de 900 mil euros a instituições bancárias portuguesas, quantia que foi posteriormente transferida para o Brasil, para contas controladas pelos próprios arguidos ou por pessoas da sua confiança.

Liderança hierárquica e métodos de disfarce

A acusação descreve uma "estrutura hierarquizada", cujo líder identificado é Ediel Nery, de 40 anos. Segundo o Departamento de Investigação e Ação Penal de Santarém, cabia a Nery recrutar os restantes elementos, dar ordens — tanto aos arguidos como aos funcionários e clientes presentes nos locais assaltados — e avançar pessoalmente para os cofres, "dando o exemplo de liderança e assumindo os riscos eventualmente maiores". Era também ele quem empunhava as armas utilizadas para intimidar as vítimas.

Os restantes arguidos assumiam funções de vigilância das autoridades, reconhecimento das vias de fuga, controlo de clientes e funcionários e inutilização das câmaras de segurança.

Para não serem reconhecidos, o grupo recorria a veículos TVDE e usava barbas, bonés, cabeleiras postiças, capacetes de moto e mochilas de entregas da Bolt Food e da Glovo. A revista brasileira Oeste, citada na acusação, acrescenta que o grupo "mapeava detalhadamente as rotinas das agências e os horários dos funcionários antes de efetuar as abordagens com arma de fogo".

Assaltos entre agosto de 2024 e junho de 2025

Vários dos assaltos ocorreram entre agosto de 2024 e junho de 2025. Um dos mais lucrativos registou-se a 5 de fevereiro do ano passado, quando o grupo roubou quase 200 mil euros do Novo Banco de Paio Pires, no Seixal. Meses depois, a agência do Crédito Agrícola de Vila Nova de Anços, em Coimbra, foi alvo de um assalto que rendeu mais de 166 mil euros. Seguiram-se dois outros golpes de valores semelhantes: 128 mil e 102 mil euros.

Branqueamento de capitais com recurso a familiares

Após cada assalto, o grupo procedia ao branqueamento dos montantes obtidos. Segundo a acusação, os suspeitos "procediam ao depósito em numerário em contas bancárias, respetiva transferência, levantamento, dispersão ou encaminhamento para terceiros, com o propósito de dificultar o rastreamento financeiro e dissimular a identidade dos beneficiários finais das quantias em causa". O MP esclarece ainda que contavam "com a colaboração de outros arguidos, pessoas das suas relações de confiança, nomeadamente familiares".

As transferências eram realizadas através de agências de pagamento e de câmbio, tanto pelos próprios autores dos roubos como por arguidos com funções exclusivamente financeiras na rede.

Seis em prisão preventiva; MP pede deportação de cinco

Entre os 11 arguidos — sete homens e quatro mulheres —, seis encontram-se em prisão preventiva desde março. O MP pede, além da condenação, a deportação de cinco dos suspeitos, por considerar que a sua permanência em Portugal constitui "uma ameaça grave à segurança e à ordem pública".

Source: RTP

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