Invasores do Capitólio pedem indemnização de um milhão de dólares cada ao Estado
Cerca de 400 participantes no assalto de 6 de Janeiro de 2021 exigem ressarcimento, alegando ser vítimas de uma "falsa narrativa" de insurreição.
Perdoados por Trump, invasores do Capitólio processam o Estado norte-americano
Cerca de 400 participantes no assalto ao Capitólio de 6 de Janeiro de 2021 exigem ao Estado norte-americano uma indemnização de um milhão de dólares — aproximadamente 860 mil euros — cada. A informação foi avançada pelo Expresso e citada pelo Público.
Os queixosos integram um grupo de cerca de 1600 acusados de terem tomado parte no ataque à sede do poder legislativo em Washington, levado a cabo por apoiantes do então candidato Donald Trump, que pretendiam impedir a certificação dos resultados eleitorais. Em 2025, Trump, já na presidência, concedeu-lhes perdão.
O pedido de ressarcimento baseia-se, segundo os próprios, nos danos causados por funcionários do Estado durante o processo judicial. Alguns dos invasores entrevistados pelo Expresso afirmaram ter tido a vida "virada do avesso" e ter sido tratados "como se fossem terroristas". Dizem ainda que "a Justiça arrasou famílias".
Treniss Evans, advogado dos cerca de 400 queixosos e ele próprio um dos acusados, atribuiu os prejuízos à construção de uma "falsa narrativa de que se tratou de uma insurreição". Evans é também fundador do grupo Condemned USA, criado especificamente para apoiar os envolvidos no assalto ao Capitólio.
O advogado disse ao Expresso acreditar que não será necessário recorrer aos tribunais: os 400 formulários de duas páginas, cada um a pedir um milhão de dólares, serão, segundo ele, suficientes para garantir a restituição.
Esta tentativa surge depois de um projecto anterior ter fracassado. Em Maio deste ano, Trump havia anunciado a criação de um fundo de 1,8 milhões de dólares — cerca de 1,55 milhões de euros — com verbas públicas destinadas a aliados considerados "perseguidos", incluindo participantes no ataque. O plano acabou por ser abandonado face a críticas de democratas e republicanos, levando os ex-acusados a tentar agora obter compensação por via judicial contra o Estado.
Source: Público